[Opinião] Um glossário quase sem preconceitos de expressões ditas “pós-modernas” (ou que quer que seja isso)

[Opinião] Um glossário quase sem preconceitos de expressões ditas “pós-modernas” (ou que quer que seja isso)

por galdino    Este texto foi inspirado por um outro que problematiza (sim, problematiza!) expressões de um tal vocabulário “pós-moderno”, de forma preconceituosa, cheia de distorções intencionais e desinformação, com o objetivo de valorizar uma perspectiva marxista sobre os mesmos assuntos. Antes de tudo, seria melhor explicar do que se trata esse tal de “pós-moderno“, algo que infelizmente não poderei fazer porque não existe nenhuma definição amplamente aceita sobre o termo*. Lance normal, segue o jogo:         PROBLEMATIZAR: Não tem muito a ver com explicação de eventos, e sim com uma postura diante de coisas naturalizadas ou que passam desapercebidas por nós por outros motivos. A problematização seria uma coisa bem simples: questionar o que nos é dado e apontar para como aquilo pode ser algo prejudicial para as relações sociais. Uma expressão que serviu historicamente para humilhar um setor étnico da sociedade, uma peça publicitária construída para reproduzir ideias sobre submissão das mulheres aos homens, e por aí vai. O tipo de análise a ser feito não tem a ver com o questionamento: pode-se muito bem adotar uma perspectiva ou método marxista para entender a raiz dos problemas. A problematização é algo que frequentemente pode ser feito de forma descontextualizada, inadequada ou simplesmente incorreta. E pode também ser uma viagem total, como problematizar a expressão “Vem, meteoro!” por ser algo que somente beneficiaria a “burguesia” (!!). O excesso de problematização sobre toda e qualquer coisa tem gerado efeitos como aversão a textões de feissebuqui e o aumento do uso da expressão “MEU DEUS DO CÉU QUE GALERA CHATA DO CARALHO”. Se for problematizar, não beba.  DESCONSTRUIR: essa expressão tem um uso bem simples, que diz respeito ao abandono de elementos opressores de nossa cultura, adquiridos durante nossa inserção social. Podem ser papéis de gêreno absorvidos através de produtos infantis, da educação familiar e programas de TV, por exemplo. Ideais de masculinidade aprendidos em casa e que são reforçados no colégio para que meninos não sofram bullying podem ser carregados ao longo de toda uma vida, interferindo nas suas relações sentimentais e sexuais no futuro. Isso é uma simplificação, mas é disso que se trataria a desconstrução nesse sentido mais usual. Infelizmente, muitas pessoas (homens obviamente) usam dessa expressão para fingir que são modernos, bem resolvidos, puros de opiniões machistas. E fazem isso pra “pegar mulher” na festinha de esquerda. Esse e outros tipos de atitude acabam em páginas de humor sobre homens desconstruidões. Além disso, vemos frequentemente pessoas que se dizem em processo de desconstrução de seus comportamentos e pensamentos opressores serem descobertas se comportando de forma incompatível com o discurso delas. Isso não precisa ser exatamente um problema, pois a ideia é justamente que desconstruir é um processo, que provavelmente sequer tem fim, pois nossa cultura seria violentamente opressora, de forma que não seria a coisa mais fácil do mundo se livrar disso. Por outro lado, pessoas também podem usar isso como desculpa para continuar causando prejuízos a outras pessoas.  Existe outra forma interessante de falar de desconstrução, … Continue reading

[Opinião]: “O que nos falta?”

[Opinião]: “O que nos falta?”

Este é um texto de opinião, que não reflete necessariamente a opinião do PIRATAS. por MrFrodo O que nos falta? Há algum tempo estamos nos perguntando o que nos falta para repetirmos a tomada das ruas de assalto como foi nos idos de 2013. O que nos falta para, enquanto maioria esmagadora perante os poderosos, fazermos eles, os de cima, tremerem novamente? O que nos falta, diante de tantos absurdos e retiradas de direitos, fazermos ecoar novamente nossas vozes nas ruas de todo o país? Razões não nos faltam. Aumento de repressão, aumento da austeridade, retirada de direitos, sucateamento de todos os serviços públicos essenciais, privatizações, crises em todas as instituições políticas e jurídicas, desemprego, encarecimento de tudo. Motivos não nos faltam. São tantas razões para nos fazer tomar o país inteiro de assalto novamente que chegamos em uma única conclusão: não nos falta nada, mas nos sobra. Pois então o que será que nos sobra, já que estão tomando tudo de nós? Nossos direitos, nossas vidas e nossos empregos estão sendo tomados, o que nos sobra para impedir as maiores mobilizações da história desse país novamente? Nos sobra o medo da agressão policial. Nos sobra o medo da prisão política. Nos sobra o medo da perseguição. Nos sobra a desesperança nas instituições, nos sindicatos, nos partidos e nas organizações. Nos sobra um enorme vazio político. Nos sobra a maior sensação de impotência que alguém pode sentir. Assistimos o noticiário descrentes do que nossos olhos vêem e lêem. Ouvimos as declarações da classe política sem conseguir compreender como aquelas declarações são dadas à plenos pulmões em rede nacional, sem qualquer constrangimento. Observamos os sindicatos e organizações que historicamente estiveram ao lado das lutas populares se calando ou se vendendo. Tudo que deveria nos faltar, nos sobra. Não, não deve ser assim. Devemos devorar nossos medos e fazer transbordar a revolta que sobra nas redes sociais para as ruas. Devemos nos armar com a coragem dos que estão na beira do abismo, onde a última opção é a coragem justamente pela falta de tudo. Só ela nos sobra. Ombro à ombro, irmãos e irmãs de luta, que sejamos novamente um o apoio do outro. Não há saída senão pela nossa própria luta e organização enquanto sociedade civil. Não será uma saída mágica que cairá dos céus, não, somente a luta política travada por baixo e à esquerda que sempre garantiu e expandiu os nossos direitos, somente essa luta nos garante o direito à vida. A história nos mostra isso sem qualquer dúvida, direitos não são concedidos pelas classes dominantes, mas são conquistados com sangue, suor e lágrimas do povo organizado. Se os sindicatos, partidos e organizações tradicionais nos traíram e se cegaram com o brilho do poder então criemos nós as condições para superá-los. Façamos nós nossos partidos, clandestinos ou não. Façamos nós nossos sindicatos e associações. Façamos nós nossas organizações políticas. Sempre prezando a horizontalidade e o caminho por baixo e a esquerda. Sempre coletivo. Não esperemos heróis demagogos descerem … Continue reading

Admita, sua política é chata pra caralho

Admita, sua política é chata pra caralho

Você sabe que é verdade. Se não é verdade, então por que todo mundo se afasta quando você fala sobre isso? Por que o número de pessoas presentes em seu grupo de debates teóricos sobre anarco-comunismo está mais baixo do que nunca? Por que o proletariado oprimido ainda não se tocou e se juntou à sua luta pela libertação mundial? por Nadia C. Talvez, depois de anos lutando para educá-lo sobre seu caráter de vítima, você tenha resolvido culpar essas pessoas por sua própria condição. Elas devem estar querendo viver sob o controle do capitalismo imperialista! Se não fosse assim, por que elas não mostrariam interesse nas suas causas políticas? Por que elas ainda não se juntaram a você e passaram a se acorrentar em móveis feitos de madeira tropical, ou cantar palavras de ordem em protestos cuidadosamente planejados e orquestrados, ou frequentar livrarias anarquistas? Por que essas pessoas ainda não sentaram pra estudar toda a terminologia necessária pra entender verdadeiramente todas as complexidades da teoria econômica marxista? A verdade é: sua política é um saco pra essas pessoas porque ela é realmente irrelevante. Elas sabem que suas formas antiquadas de protesto – as marchas, os cartazes, os encontros – já não têm mais poder de produzir mudanças reais porque acabaram virando uma parte previsível do status quo. Elas sabem que suas expressões pós-marxistas afastam as pessoas porque se trata de uma linguagem de meras disputas acadêmicas, e não de uma arma capaz de enfraquecer sistemas de controle. Elas sabem que suas brigas internas, os rachas entre grupos e suas discussões intermináveis sobre teorias efêmeras são incapazes de causar mudanças reais no mundo que elas experimentam dia após dia. Elas sabem que, não importa quem governe, que leis estejam nos livros, sob que “ismo” intelectuais estão marchando, o conteúdo de suas vidas vai ser o mesmo. Elas sabem, e nós sabemos, que nosso tédio é prova de que essas “políticas” não são a chave para mudar a vida de verdade. Nossas vidas já são um tédio!  E você também sabe disso. Para quantas pessoas a política é uma responsabilidade? Algo que você faz porque acha que deve fazer, quando lá no fundo você preferia estar fazendo milhões de outras coisas? Seu trabalho voluntário – ele é seu passatempo favorito, ou você só faz porque se sente na obrigação? Por que você acha que é tão difícil convencer outras pessoas a fazer o mesmo trabalho voluntário que você? Será que, acima de tudo, é um sentimento de culpa que te faz cumprir seu “dever” de ser uma pessoa politicamente ativa? Talvez você esteja tentando (de forma consciente ou não) tornar seu “trabalho” mais interessante arrumando confusão com as autoridades, indo parar na delegacia: e não porque isso vai ajudar em algo na sua causa, mas pras coisas ficarem mais excitantes, pra retomar algo do romance de épocas turbulentas que agora estão longe no passado. Você já se sentiu como se estivesse participando de um ritual, de uma tradição há muito estabelecida … Continue reading

Seus… seus… seus PIRATAS!

Seus… seus… seus PIRATAS!

Algumas considerações das besteiras que falam sobe o Partido Pirata nas redes sociais. por Guanyin “QUEM NÃO DEVE NÃO TEME” Sempre que apresentam uma lei vigilantista, ou denúncias de que governos e corporações foram longe demais, alguém vem com essa. Dizer que não liga para privacidade por não ter nada a temer é o mesmo que dizer que não se importa com liberdade de expressão por não ter nada para falar. Neste caso, melhor não falar nada mesmo…   “FALA DE CORRUPÇÃO MAS BAIXA MP3” A principal fonte de remuneração dos músicos profissionais não é a renda dos direitos autorais, mas os cachês de seus shows. A pirataria têm contribuído muito para aumentar a remuneração de novos talentos. Antes, o músico dependia do investimento da gravadora para se tornar conhecido. Hoje, a Internet cumpre o papel de divulgação. De qualquer forma, ouça a música ’Copiar não é roubar’   “BLACK BLOC TERRORISTA” O PIRATAS não é adepto da violência como promoção de suas políticas. Entretanto, temos como cláusula pétrea a resistência e combate a toda forma de opressão. Se a polícia age com violência desmedida em alguma ação, é natural e legítimo que algumas pessoas resistam e tentem proteger outros ao seu redor. Leia o ’Guia Pirata de Manifestações’, versão brasileira de artigo de um pirata novaiorquino.   “VOCÊS SÃO FINANCIADOS PELO SOROS!” Por mais que se negue, há quem insista que o Partido Pirata é uma iniciativa de George Soros. Os fatos são diferentes: piratas denunciam práticas de globalistas ao redor do mundo. Piratas no Brasil se inscreveram na Chaos Computer Club da Alemanha com apresentação sobre os perigos do ativismo social financiado pelo grande capital. Já na Holanda, Ancilla van de Leest, líder do Partido Pirata por lá, tem denunciado as manobras de Soros na Ucrânia como forma de entrar na União Europeia para privatizar a distribuição de água e outros serviços. E, por último, o Tratado Trans Pacífico, recentemente enterrado e que era muito importante para Soros, foi combatido em todo o mundo por piratas de diversos países, como em nosso vizinho Chile.   “VOCÊS SÃO TUCANONYMOUS!” De certa forma, Anonymous está para o Partido Pirata como o Greenpeace está para o Partido Verde (não exatamente o PV brasileiro – existem partidos desse tipo pelo mundo afora). Vários membros de Partidos Pirata pelo mundo são ativos em ’células Anon’. Até aí, tudo bem. Mas há certos grupos autointitulados ’Anonymous’ que são verdadeiramente fakes e frequentemente denunciados por outros grupos, seja no Brasil ou lá fora.  A forma de identificar se um grupo Anon é legítimo não é tão difícil quanto parece, mas aqui está um bom artigo sobre isso: ’A Maior Página Anonymous do Facebook é Fake’   “SATÉLITE DO PT” O Partido Pirata tem se manifestado contrário as práticas tradicionais de partidos brasileiros. A acusação de ser “satélite do PT” está ligada mais a certas pautas dos PIRATAS que a um apoio (que não há) ao Partido dos Trabalhadores. Inegavelmente os Partidos Pirata do mundo, assim como … Continue reading

As contradições dos ativistas profissionais de direitos digitais

As contradições dos ativistas profissionais de direitos digitais

ONGs internacionais lançaram um manifesto em defesa do Marco Civil e do Comitê Gestor da Internet (CGI) no Brasil. A lista de contradições no chamado “Manifesto de Guadalajara” são enormes. por Guanyin*  APLAUSOS AO MARCO CIVIL DA INTERNET O texto celebra o Marco Civil da Internet como “resultado de um longo e democrático processo participativo”.  Sempre propagandeado como uma construção coletiva, o texto do Marco Civil acomodou crescentes concessões a grupos de interesse tradicionais, e corrompeu qualquer resquício de uma versão inicial construída de forma colaborativa e aberta. O texto final terminou como uma força viável contra a população, ao deixar lacunas que de várias maneiras podem ferir a neutralidade de rede, a privacidade, a liberdade de expressão das pessoas e o livre compartilhamento de cultura e conhecimento. VIGILÂNCIA EM MASSA  Os Art 13 e 15 do Marco Civil da Internet violam os princípios constitucionais de Presunção de Inocência e Proporcionalidade e afetam a privacidade e liberdade de expressão. Se trata da obrigatoriedade de guarda dos dados de acesso e serviços online por um período de seis meses, e de dados por aplicações por um ano, com a possibilidade de ampliar esse prazo indefinidamente conforme solicitação da autoridade policial, administrativa ou do Ministério Público. O Art. 15 é uma afronta. Permite, por exemplo, o monitoramento e intimidação de movimentos sociais que têm se organizado pela Internet para exigir mudanças no Brasil. A invasão da privacidade das pessoas passa a ser, mais do que um modelo de negócio questionável, uma obrigação legal imposta pelo Estado. BLOQUEIO DE APLICATIVOS O Manifesto diz “vimos também decisões judiciais que determinam a remoção de aplicativos como o WhatsApp, quando a empresa é incapaz de fornecer dados e conteúdo sobre as pessoas investigadas pela polícia ou autoridades de investigação.” E essas decisões não foram baseadas nas leis que a tal “Coalização de Direitos” está aplaudindo? Segundo o Marco Civil, o conteúdo das comunicações privadas deve ser revelado mediante  ordem judicial, nos termos do parágrafo segundo do artigo 10. No artigo 11 estabelece-se que “qualquer operação de coleta, armazenamento, guarda e tratamento de registros, de dados pessoais ou de comunicações por provedores de conexão e de aplicações de internet (…) em território nacional” deve respeitar a legislação brasileira Já o artigo 12 prevê sanções caso isso não seja cumprido: advertência, multa de 10% do faturamento do grupo no Brasil, sua proibição ou suspensão temporária — o que levou o serviço de mensagens mais utilizado do Brasil ao fatídico bloqueio. Ou seja, o Manifesto aplaude a própria lei que causa o bloqueio. E caberá ao STF determinar não se o Marco Civil da Internet está sendo mal interpretado — mas se tais dispositivos são ou não constitucionais! BANDA LARGA PARA TODOS O Manifesto afirma que o governo federal deixará de desenvolver políticas de acesso à Internet de banda larga e que “o mercado deve promover a expansão por conta própria”.  E afirma que esse seria um “novo paradigma de governança vai contra o atual quadro legal e regulatório do … Continue reading

Novos Impostos Sobre Serviços (ISS) para a Internet

Os desafios, motivações e implicações envolvendo a cobrança. Por Mila Holz e M. Toledo No dia 14 deste mês de dezembro, o Senado aprovou o projeto de lei número 386 de 2012, que prevê a criação de novos tributos sobre diversos serviços, entre eles a disponibilização de áudio, som e imagens, o transporte de mercadorias, a confecção de propagandas, os serviços de segurança, a pintura de tatuagens e até mesmo o uso de espaço para sepultamento. Em meio ao período de crise fiscal, onde o Estado gasta mais dinheiro que arrecada, é mais fácil a criação de novos impostos sobre áreas menos oneradas do que a elevação de taxas em áreas mais visíveis da economia, portanto era de se esperar novas manobras para garantir a entrada de mais recursos. No entanto, alguns impostos são mais facilmente tributáveis que outros, por exemplo, é mais administrável acompanhar bens físicos e pessoas do que informações. O ISS é um imposto que incide sobre o consumo, de competência dos municípios e se trata de uma cobrança de arrecadação, não estando atrelado a qualquer contrapartida do governo, sua existência é uma forma de complementar os cofres públicos. Segundo Nazil Bento Neto (2016) a motivação para criação de novos impostos deste tipo é muitas vezes fruto de uma “guerra fiscal”, onde a fundação de novos municípios em territórios sem atividade econômica relevante gera a necessidade de novas formas de arrecadação. A Internet tem reforçado essa crise, onde parte dos negócios que produziam uma renda para o município estão sendo substituídos por serviços online, que contam com pouca ou nenhuma estrutura física própria na região de seu consumo. Se anteriormente locadoras de vídeos e televisões a cabo eram atrativas e precisavam de uma grande estrutura para manter-se, hoje os serviços de streaming produzem o mesmo efeito para seus consumidores enquanto necessitam de estruturas próprias infinitamente menores. A medida que mergulhamos nos desafios práticos da tributação, se torna claro que a legislação brasileira foi feita para uma realidade sem internet e ainda não possui uma reflexão substantiva sobre seus desafios, sendo influenciada por lobbies privados das grandes redes de comunicação estabelecidas no país. Claudio Nazareno (2012), aponta que os provedores brasileiros de internet oferecem pacotes de banda larga e entregam apenas 10% do acordado. O Youtube e a Netflix, concorrentes diretas das empresas que vendem serviços de televisão a cabo e acesso à internet no país, precisam de no mínimo cerca de 0,6 Mbps para transmitir um filme em qualidade HD, demanda alta para o padrão baixo do serviço de conexão com a internet oferecido no país. Portanto, o crescimento de serviços de streaming obriga os provedores a fazer investimentos para assegurar uma conexão de qualidade para o usuário, ou seja, para os provedores e para o governo os serviços de streaming são apenas uma perda de arrecadação. Uma vez esclarecido os interesses das autoridades e dos atuais detentores do ramo de acesso à internet no país, exploremos então a problemática que é gerada pela tentativa de taxar … Continue reading

Repúdio às agressões do MTST ao bloco autonomista

Repúdio às agressões do MTST ao bloco autonomista

NOTA SOBRE AS AGRESSÕES SOFRIDAS PELO BLOCO AUTONOMISTA NO ATO CONTRA A PEC 55 (13/12) EM FORTALEZA-CE O Partido Pirata manifesta seu repúdio pelas atitudes violentas da “segurança” do MTST, que espancou, perseguiu e ameaçou pessoas pelas ruas de Fortaleza (incluindo um integrante do PIRATAS) fazendo com que pessoas tivessem de ser levadas ao hospital com ferimentos graves. Essas agressões  foram apoiadas abertamente pela União Nacional dos Estudantes (UNE), cujo apoio a agressões contra anarquistas e autonomistas já é conhecida pelas pessoas que frequentam manifestações de rua. Nada do que foi feito pelo MTST contra o bloco autonomista  pode ser justificado com qualquer tentativa de apontar “quem começou” com as discussões, devido à desproporcionalidade gritante das ações praticadas pelos autointitulados “donos“ do ato. O que vale para a Polícia Militar vale também para o MTST.  Guilherme Boulos, uma das lideranças do movimento, já expressou publicamente que, nos atos de “seu” movimento e de grupos aliados, não há espaço para certas formas de manifestação embora o próprio MTST se envolva com todo tipo de ação direta em defesa de suas pautas. Depois de tantas agressões em atos controlados pelo seu movimento e por outras “forças” que compõem a Frente Povo Sem Medo, fica claro que o problema não é com a ação direta, mas com a orientação política de certas pessoas e coletivos e com o fato de não serem cooptáveis para os interesses dos senhores feudais das assembleias.  Ao MTST – Ceará, dizemos: podem tentar manipular a opinião das pessoas. Podem inventar, distorcer e apagar comentários contendo relatos sobre suas agressões. Podem até se fazer de vítimas e escrever notas dignas de um comandante da PM; não importa, vocês nunca poderão esconder o que fizeram.  Não é de hoje que iniciativas e pessoas libertárias encontram grande resistência nos meios ditos de esquerda, estando a origem do conflito muitas vezes na recusa delas em aceitar as práticas que visam controlar, verticalizar, direcionar e cooptar manifestações, coletivos, movimentos e ocupações, dentre outras construções políticas. Nós do PIRATAS temos a horizontalidade, a colaboratividade e a recusa de todas formas de autoritarismo como nossos princípios mais básicos de atuação. Buscamos sempre eliminar práticas que vão contra isso em nossa organização interna e em nossas atuações, assim como defendemos a legitimidade das ações de outras pessoas e grupos que estejam em harmonia com nossos princípios. Assim prestamos toda nossa solidariedade às pessoas agredidas não apenas no ato em questão, mas às que enfrentam constantemente agressões verbais e físicas em outras ocasiões; todo tipo de assédio moral e táticas difamatórias e de desinformação, dentre outras coisas, apenas por não se curvarem às autoridades da velha esquerda, aos seus mandamentos divinos e consensos excludentes e fabricados de cima para baixo. Grupo de Trabalho de Comunicação do Partido Pirata no Brasil

Guia Pirata para Manifestações – Batendo de frente com a Democracia

Guia Pirata para Manifestações – Batendo de frente com a Democracia

Inspirado no texto “A New York Pirate’s Guide To Resistance“.   “NÃO HÁ MAIS COXINHAS E MORTADELAS AGORA SOMOS TODOS PAMONHAS“ ANÔNIMO por KaNNoN e gal Como vivemos época de manifestações para todos os gostos e tipos de pessoas, talvez você tenha vontade de ir a algum destes protestos e então, inspirado no “A New York Pirate’s Guide To Resistance”, este é o “Guia pirata para manifestações – batendo de frente com a democracia”. O QUE VESTIR Bem, eu não vou explicar timtim por timtim porque uma grande parte dos piratas já sabem o que fazer numa manifestação. O objetivo é dar dicas e truques para coisas que você já sabe. Para começar, guias online te dirão que você precisa de alguns apetrechos e uma mochila. A desvantagem de se usar mochila é que a Polícia pode querer revistá-lo em algum momento — é o chamado “flagrante forjado”, uma prática corriqueira da corporação. Outro ponto a se chamar atenção é que qualquer coisa, por mais inofensiva que pareça, pode ser confiscada e você ser apreendido. Produtos de primeiros socorros, vinagre, sucos, máscaras, livros, jornais e até mesmo produtos de limpeza podem ser apreendidos como artefatos explosivos. A postura das autoridades pode variar de protesto para protesto e também de acordo com a forma como você está vestido — e com a sua cor de pele. Em protestos convocados pela direita, o dress coding é o mesmo de um picnic no parque ou de uma partida da seleção brasileira assistida em um bar. Há ainda grupos online que vendem “KIT PROTESTO COXINHA”, que inclui camisetas, bonés e até balões.   Se você acordou se sentindo como o Alexandre Frota e não se sente representado nos atos do Vem Pra Rua pois deseja gritar bem alto um “Fora Temer”, temos no cardápio os protestos da nossa esquerda tradicional também! Nesse caso, você pode vestir desde camisetas de partidos até roupas comuns. Talvez roupas e máscaras pretas façam com que outros manifestantes te entreguem pra polícia, mas não se preocupe: assim como nos atos dos famigerados “coxinhas”, o que importa é manter a ordem e os interesses dos que mandam nas manifestações. Deixe o radicalismo para outro dia, não é pra isso que te chamaram pro evento. Como nem todo protesto é como um passeio domingo de manhã no manifestódromo da Avenida Paulista, o ideal são roupas leves de cores neutras, calça jeans, tênis ou bota e um lenço ou bandana. Leve um outro conjunto de roupas caso precise se disfarçar de “cidadão de bem” e passar desapercebido por um grupo de policiais antes de chegar no ato (ou mesmo para cair fora dele). Camisetas e bandeiras do PIRATAS não causam problemas. As pessoas ao lerem “Partido Pirata”, normalmente quando não conhecem, acham engraçado – e quando conhecem, continuam achando engraçado! – Assim podemos evitar o risco de levar porrada em ambos os atos, até porque temos uma grande variedade de cores de camisetas.   MÁSCARAS O uso de máscaras em manifestações pelo … Continue reading

Por quê esta esquerdista radical está desiludida com a cultura esquerda

Originalmente publicado em dois artigos separados com o título “Why This Radical Leftist is Disillusioned by Leftist Culture” (1) (2), nesse texto a ativista e atual “Chairperson” (Presidente em tradução livre) do Partido Pirata International (Pirate Parties International) fala das suas decepções com a atual cultura de ativismo.   por Bailey Lamon Sempre vou acreditar na “Revolução”. Mas estou ficando muito frustrada com a cultura “de ativismo” contemporânea. Prepotência Em primeiro lugar, estou cansada de observar as pessoas se tornarem babacas pretensiosos que acham que o ativismo deles os torna melhores do que todo mundo, até mesmo do que os grupos oprimidos e marginalizados dos quais eles alegam ser “aliados”. Se você já trabalhou em um sistema de albergues, ou em qualquer campo que atenda àqueles de algum modo aqueles considerados marginalizados ou oprimidos, tais como vítimas de abuso, sem-teto ou pessoas que enfrentam vícios e/ou distúrbios mentais (para citar apenas alguns exemplos…), uma das primeiras coisas que você aprende é que, normalmente, eles não enquadram suas visões de mundo em termos das teorias acadêmicas que você estudou nas aulas de estudos de gênero na universidade. Em sua maioria, eles não tendem a analisar suas experiências em termos de poder e privilégio sistêmicos, ou de conceitos tais como “o patriarcado”, “privilégio branco” ou “heteronormatividade”. Embora muitas dessas pessoas sejam impactadas diretamente pela desigualdade de classe e tenham, sim, consciência disso, elas provavelmente não passam seus dias e noites lendo Karl Marx e se educando a respeito das complexidades do capitalismo. Elas não se reúnem para ponderar os efeitos de “comportamentos problemáticos” em comunidades radicais. Elas não estão preocupadas em checar seus privilégios. Não. Elas estão ocupadas tentando sobreviver. Chegar até o dia seguinte. Obter necessidades básicas, tais como comida, abrigo e higiene. Elas não se dão ao trabalho de policiar a linguagem e de se preocupar em como suas palavras podem inadvertidamente perpetuar certos estereótipos. Elas estão mais preocupadas em fazer com que suas vozes sejam, em primeiro lugar, ouvidas. E mesmo assim me deparo com tantos “ativistas” que se afirmam preocupados com aqueles nas camadas mais baixas da sociedade ignorando as realidades da opressão, como se você se ofender com o discurso ou com a visão de mundo de alguém fosse igual a cumprir pena na prisão ou a viver na rua. Eles falam em escutar, em ser humilde, em questionar suas noções pré-concebidas sobre as outras pessoas e ouvir suas experiências de vida… Porém, ignoram as experiências de vida daqueles que não falam ou pensam adequadamente na visão de social de paladinos da justiça social, com educação superior, não importa o quão pior seja a situação dessas pessoas. Isto não é dizer que devamos aceitar alguma forma de intolerância — longe disso. Mas eu ousaria dizer que a máfia politicamente correta na esquerda perpetua uma própria forma de intolerância, porque aliena e ostraciza aqueles que não compartilham de suas formas de pensar e de falar sobre o mundo. Estou cansada das “panelas”, das hierarquias, do policiamento dos outros e dos desequilíbrios … Continue reading

[Opinião] Ordem e Pobreza – um manifesto a favor da informalidade

por Apolinário* A pobreza é um infortúnio. Veja bem, não estou afirmando aqui que a pobreza não tem como boa parte de sua causa ações deliberadas de indivíduos ou grupos de interesse. Mas nascer rico, classe média ou pobre é uma questão de sorte. Você de repente existe, e ao existir, você se depara com a realidade que está ali imposta. A sua realidade é aquela. Se essa realidade é a pobreza, o movimento natural é a tentativa de se livrar dela. Boa parte da sociedade globalizada contemporânea tem suas trocas mediadas por dinheiro. Portanto, a forma pragmática do indivíduo ou da família se livrar da pobreza hoje, dentro do contexto e sistema atual, é na tentativa de obter dinheiro. É possível discordar do contexto no qual muita da pobreza se cria, do dinheiro como mediador das trocas, e até lutar para que isso mude. Mas nada disso altera a realidade objetiva de quem efetivamente é pobre. Esperar que uma revolução chegue para libertar os pobres do futuro é condenar os pobres atuais à pobreza. Esperar que todas as políticas públicas, direitos e garantias adequadas cheguem para libertar os futuros pobres é condenar os atuais pobres à pobreza. Não estou negando que esse tipo de coisa não deva ser buscada por quem acredita em cada uma das alternativas. Mas sim que, em paralelo, os pobres atuais não podem esperar. As formas que os pobres de hoje buscam para libertarem-se ou se aliviarem sua própria pobreza varia de cada pessoa, família grupo ou coletivo para outro. No Brasil isso é tão comum que temos uma expressão popular para isso: “fazer bico” é encontrar formas de prover para si e para seus próximos. Boa parte dessas soluções são confusas, descentralizadas, diversas, informais e flexíveis – e muitas delas são consideradas ilegais e ilegítimas aos olhos do Estado e das classes mais abastadas. As classes mais abastadas e seus representantes, portadores de canetas que se fazem valer na força da farda, deslegitimam os “bicos” e o comércio informal até mesmo quando estão supostamente bem intencionadas: “a gente precisa de licenciamento, regulação, inspeção, papelada e taxas para ter o mínimo de proteção para toda sociedade”. Para os abastados bem intencionados, para criar uma sociedade organizada, regrada e ordeira para todos é necessário reprimir a “bagunça”, “zona” e “caos”. No entanto, esse coletivo de “todos” defendido pelos amantes da ordem convenientemente esquece os próprios bagunceiros, zoneadores e caóticos – que geralmente são as pessoas mais pobres e marginalizadas buscando se livrar ou aliviar essa condição. Sem falar de quem é deliberadamente mal intencionado e acaba com a concorrência dos mais humildes por puro corporativismo. A ocupação do espaço urbano ocioso pelos “bagunceiros” desrespeita o ordeiro zoneamento urbano criado pelo burocrata, e nessas bases se tenta legitimar a expulsão a pessoa da sua casa. A venda de churrasquinho na esquina ou refri no isopor desrespeita a ordeira regulação sanitária e comercial criada pelo burocrata e “deixa a cidade uma bagunça”, portanto se tenta legitimar dar porrada … Continue reading