Perspectivas Libertárias: “Essa democracia é um mito que devemos destruir”

Perspectivas Libertárias: “Essa democracia é um mito que devemos destruir”

De tempos em tempos, crises políticas são jogadas ao público, provocando grandes momentos de agitação política nas redes e nas ruas, com cobertura midiática nos alimentando com meias informações, e gerando debates acirrados e polarizados em torno de qual deve ser a solução para tais crises. E aí entram duas opções: solucionar a crise trocando as peças do tabuleiro ou perceber que o tabuleiro é a própria causa da crise. por galdino*   Nosso país, assim como as chamadas “democracias” ao redor do mundo, não é governado por uma pessoa, nem por meia dúzia. Nem mesmo pelo poder executivo, embora a quantidade de decretos saindo dele e passando por cima dos outros dois “poderes” tenha aumentado assustadoramente ao redor do mundo desde o fim da Segunda Guerra Mundial. Mas o poder simbólico desse cargo ainda é tão grande que qualquer cobertura de um processo eleitoral envolvendo presidência (ou equivalentes no imaginário da população) foca exageradamente nele, como se ali encontrássemos o acontecimento decisivo. E nossas instituições reforçam essa ideia de que a grande decisão sobre os rumos do país é tomada elegendo alguém para a presidência da República. E, em certo sentido, a grande solução para os nossos problemas mais diversos em nível nacional é apresentada como uma escolha correta nesse processo, e toda crise só pode mesmo ser solucionada, evitada, ou amenizada mexendo nesse cargo. Mas o nosso sistema de governo não se resume a isso. Não se resume sequer à esfera pública. Onde são tomadas todas as decisões mais impactantes que movem nossa sociedade? Uma pessoa no cargo de presidência pode vetar leis que já passaram no Senado e na Câmara, mas não pode ficar vetando tudo o tempo todo, mesmo que supostamente esteja fazendo parte de um grupo político rival. É preciso negociar para sustentar as aparências, e é importante que se tente fazer isso longe dos olhos públicos, porque basta parecer que algo não vai bem que toda uma crise política pode se produzir. De onde surgem as ideias de projetos de lei? Como eles se alinham com o interesse de empresas que doam quantidades enormes de dinheiro para tudo quanto é gente de tudo quanto é partido? As recentes revelações vindas da Odebrecht e da JBS apontam definitivamente, para que se saiba sem sombra de dúvida, que nosso sistema político é movido por interesses e poderes que nada têm a ver com discursos em debates eleitorais e panfletos distribuídos na rua. Nós estamos tendo o terrível privilégio de assistir a revelação de parte das entranhas de nosso sistema. Estamos olhando no abismo, e ele quer olhar de volta para nós. Qual a solução para as mais recentes crises? Pessoas falam em “Diretas Já”, eleições indiretas, devolução do cargo à ex-presidente, em eleger a pessoa certa dessa vez. Ora, em geral, já elegemos essas pessoas que aparecem como opções. Elas não saíram de um portal vindas de outra dimensão; elas estão comprometidas com esse sistema, que por sua vez está comprometido com tudo, menos com o … Continue reading

O que é o mega ciberataque, o que fazer e reflexões sobre liberdade e segurança na rede

O que é o mega ciberataque, o que fazer e reflexões sobre liberdade e segurança na rede

por Apolinário Hoje (12/05) está rolando um grande ciberataque ao redor do mundo, utilizando-se de ransomwares. Ransomware são uma modalidade de malware que criptografa arquivos na máquina atacada e pede um resgate, normalmente usando uma criptomoeda como bitcoin, para descriptografar e devolver os arquivos. Um “sequestro virtual” dos arquivos. Quem assistiu ao seriado “Mr Robot” já viu como funciona (quem não viu, veja). Esse tipo de ataque não surgiu agora, em 2015 os sistemas da prefeitura de Pratânia, interior de SP foram bloqueados e um resgate de US$3000 pedido. Esse ataque, depois de instalado, realmente tem bem poucas escolhas a se fazer: é ou pagar ao hacker, ou ficar sem os arquivos. Essa é a recomendação até mesmo do FBI: se quer os arquivos de volta, pague. O que tem de novo agora é que o ataque parece massivo e global, tendo chegado inclusive ao Brasil. Navegando por redes atacadas da Telefonica e de outras teles, o ransomware chamado WannaCry parece estar automaticamente escaneando computadores e infectando automaticamente esses computadores com sistemas antigos, que possuem vulnerabilidades conhecidas, encriptando essas máquinas e cobrando um resgate de inicialmente US$300 em BTC para desbloquear o sistema. Os valores costumam ser propositadamente baixos para que a pessoa se disponha a pagar para evitar maiores dores de cabeça. E os fraudadores ganham na escala. Para quem quiser acompanhar, o MalwareInt da Intel está acompanhando dispositivos infectados pelo WannaCry em tempo real. Há indícios de que, inclusive, um malware que a NSA usava para fins de espionagem ter sido usado por esses hackers para espalhar o ransomware WannaCry nos sistemas que está infectando. O EternalBlue, malware fabricado pela NSA, que entre outras funções, a agência utilizava para invadir bancos no Oriente Médio, foi liberado para o público pelo grupo hacker ShadowBrowkers. Aparentemente em sistemas com Windows Server 2003 e Windows XP, que ainda são bastante utilizados corporativamente embora não tenham mais suporte nem atualizações, estejam sendo sejam os mais afetados. Entretanto, a falha pode afetar todos os dispositivos que rodam Windows e que não atualizaram os seus sistemas com o patch de segurança liberado pela Microsoft no dia 14 de Março de 2017. Para explicações mais técnicas e detalhadas sobre o ataque, leia no blog da Kaspersky. O QUE EU, PESSOA NORMAL QUE TÔ LENDO SOBRE ISSO, DEVO FAZER? 1. E eu, que tô aqui no meu Macbook, no meu note Windows 7-10 ou no celular, preciso fazer alguma coisa imediatamente? Aparentemente os computadores com os sistemas mais recentes e atualizados não estão sendo infectados nesse ataque. Ainda assim, atualize seu sistema operacional para a última versão, sobretudo se você não atualiza desde Março (data que a Microsoft corrigiu a falha de SMB que permite as invasões). De resto, tenha um sistema de proteção (anti-virus, anti-malware, etc.), não execute softwares esquisitos ou que você não saiba exatamente quais são. Se você quiser se aventurar mais ainda, dispositivos Linux costumam sofrer menos esse tipo de ataque. Agora se você tem Windows XP, atualize AGORA. Se você usa um computador com Windows … Continue reading

Por que não vamos vencer a guerra às drogas

Por que não vamos vencer a guerra às drogas

por Tim Haslett* É um truísmo do pensamento sistêmico que sistemas sustentáveis geram seu próprio comportamento. Tecnicamente, isso significa que há sistemas de feedback positivo que mantêm o sistema funcionando. Isso é parcialmente verdade no tráfico de drogas. A primeira dinâmica importante é a forma que a oferta de heroína mantém o estoque de heroína em uma dada comunidade. Esta dinâmica é a clássica oferta e procura. À medida que a oferta de heroína aumenta, o estoque de heroína na mão de traficantes aumenta. Isso por sua vez diminui o preço, o que faz a oferta desacelerar. Mas quando a oferta desacelera, o estoque de heroína diminui e o preço sobe de novo. De forma geral, haverá um equilíbrio nessa dinâmica. Aumente ou diminua a quantidade de uma variável para rodar! Clique em “Reset” pra começar de novo e “Remix” para abrir o diagrama em outra página, ou criar o seu! Deslize a barra embaixo para diminuir ou aumentar a velocidade da animação. A outra parte da dinâmica é a apreensão de grandes carregamentos de heroína pelas autoridades. Tais apreensões diminuem a quantidade de heroína disponível no mercado, fazendo o preço subir e aumentando (o incentivo para a) oferta. A maioria de nós não se dá conta de quão bem organizada é a logística dessa indústria. Apreensões de drogas têm pouco efeito além de aumentar o preço a curto-prazo. Experimente aumentar as apreensões! Contudo, há uma consequência do aumento do preço, mostrada no próximo loop. O aumento leva a um crescimento em pequenos crimes: assaltos, roubos de carros, pequenos furtos, etc.1 Essas ondas de pequenos crimes são frequentemente enfrentadas pelas autoridades com uma série de prisões, mandando vários viciados para a cadeia local. A falta de viciados nas ruas leva a uma pequena queda no uso, e uma sobra de heroína no mercado. O fato de que viciados condenados costumam ter acesso a drogas na prisão não é algo em que as autoridades não gostam de pensar muito. Há uma dinâmica final nesse loop. Ela se chama marketing nesse diagrama e representa o que os traficantes fazem quando eles têm pouca quantidade de droga parada, sem conseguir vender. Eles simplesmente a distribuem para não-viciados na esperança de que eles criem um hábito. Se essa estratégia tiver sucesso, ela substitui o viciado preso com um novo viciado. E lembre-se, o viciado antigo provavelmente ainda está usando heroína na prisão, então o consumo total de heroína provavelmente subiu por causa disso. A lógica desse diagrama indica que a guerra às drogas não faz nada além de criar flutuações o preço da heroína. Mas essas flutuações, e o aumento de preço que delas resulta, faz aumentar o número de crimes. As políticas públicas usadas até agora tem sido punitivas: a apreensão de drogas e a prisão de pessoas envolvidas com o tráfico. Essas políticas parecem ter feito pouco pra resolver o problema do consumo de drogas em nossas comunidades. Há na verdade dois outros pontos de atuação2 que podem ser usados. O primeiro é reduzir o número de viciados. Há duas formas de fazer … Continue reading

100 anos da Greve Geral: uma breve História da Luta Trabalhista no Brasil

100 anos da Greve Geral: uma breve História da Luta Trabalhista no Brasil

Poucos sabem, mas a força do Movimento Operário era bem maior no começo de século até 1934, porque os Sindicatos, Ligas e Uniões Operárias eram livres e não sofriam controle do Governo, dos partidos políticos e nem dos patrões. por Guanyin* Foram essas organizações, a grande maioria de orientação internacionalista e anarquista, que em 1906 realizaram o I Congresso Brasileiro e deliberaram pela necessidade de se criar uma confederação sindical. Em 1908 a Confederação Operária Brasileira (COB) já editava o jornal “A Voz do Trabalhador” noticiando as lutas dos trabalhadores do Brasil e do mundo. A COB realizou seu II Congresso em 1913, tendo sido responsável pela deflagração da Greve Geral de 1907 pelas 8 horas de trabalho (aprovada no I Congresso) e responsável – junto com os anarquistas – pela deflagração da Campanha contra o Fascismo. Em 1917 são seus aderentes que promovem a Greve Geral que colocou São Paulo nas mãos dos operários. Em 1920 a COB realizou seu terceiro e último Congresso. Em 1934, após enfrentamentos com os fascistas e com o Governo, o movimento anarcossindicalista sofre as maiores repressões, tendo muitos de seus militantes mortos, presos ou deportados. A partir de 1934, Getúlio Vargas cria o Ministério do Trabalho, proíbe a existência de sindicatos livres, cria o imposto sindical e a CLT, nela colocando – em forma de lei – todas as conquistas das lutas e greves anteriores. Getúlio promove a migração interna trazendo camponeses para a cidade e ajudando a indústria a eliminar os serviços especializados desempenhados por operários estrangeiros considerados como “agitadores”. Em 1937 Getúlio dá um Golpe de Estado e impõe uma Ditadura. Entre os fatores de esvaziamento da luta sindical a partir dessa data, podemos citar o papel dos comunistas de apoio ao Governo na destruição dos Sindicatos Livres e do lançamento entre os operários de um ideal reformista de “tomada do poder pelo Partido Operário”; a criação de sindicatos sustentados pelo próprio governo e a repressão feroz contra o movimento libertário e anarcossindicalista, pelo Governo e pelo Partido Comunista. De lá para cá nada mudou. Os sindicatos continuam atrelados e nenhuma conquista verdadeira foi conseguida a partir de 1930. Reformas vem e vão, sempre retirando direitos, dando acenos tímidos a qualquer proposição de modernização, mais autonomia e poder às pessoas trabalhadoras, mas sempre em benefício do interesse patronal e dos sindicatos, que muitas vezes se misturam e parecem uma só coisa. Os sindicatos são hoje grandes aparatos financeiros, verdadeiros órgãos públicos administrados por pelegos e políticos, todos a usar o trabalhador.  Não existe livre associação sindical e muito menos mecanismos horizontais de participação em todos os níveis. Grande parte das pessoas trabalhadoras não se identifica nem com a Central Única dos Trabalhadores (CUT) e muito menos com Força Sindical, ambas reformistas e atreladas a Governos e Partidos Políticos a se sustentar do roubo que é o Imposto Sindical.  Aliás, por pressão de entidades patronais, como a Confederação Nacional da Indústria (CNI) e a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo … Continue reading

Comunicado do Partido Pirata dos EUA sobre os ataques à Síria

Comunicado do Partido Pirata dos EUA sobre os ataques à Síria

Por Partido Pirata dos EUA* Por ordem do presidente Donald Trump, navios de guerra dos EUA lançaram entre 50-60 mísseis Tomahawk contra uma base aérea do governo sírio. O Partido Pirata dos EUA condena veementemente estes ataques e apela ao Poder Executivo e ao Congresso que acabem com toda a intervenção dos EUA na Síria. Além disso, pedimos que todas as pessoas de espírito democrático e justo para que entrem em contato com ambos e exijam o fim imediato das hostilidades. O vídeo de um suposto ataque com gás sarin foi publicado menos de 48 horas atrás. Como se pode descobrir o que é real e o que não é em um período tão curto de tempo? Quando vidas inocentes estão potencialmente em jogo, uma discrição muito maior é necessária. Não houve uma votação no Congresso para ir à guerra. Isso faz com que esta ação seja inconstitucional: os poderes presidenciais expandidos que Trump herdou de Obama não são constitucionais. Essa ação também é ilegal sob a lei internacional. Piratas valorizam o imperativo de soberania local e democracia contra intervenções imperialistas. Nós valorizamos transparência e deliberação antes da ação. Acreditamos que, qualquer que seja o crime do qual se acusa alguém, uma investigação justa e completa deve ser garantida antes do uso da força. Por isso e pela desumanidade básica em travar uma guerra não provocada, piratas dos Estados Unidos se opõem a essa ação ilegal, imoral e imperialista. *Esta é a declaração oficial do Pirate Party US não sendo necessariamente ponto de vista de membros do Partido Pirata Brasil 

Piratas Venezuelanos acusam o Governo Maduro de promover um autogolpe

Piratas Venezuelanos acusam o Governo Maduro de promover um autogolpe

As recentes sentenças 155 e 156 da Corte Constitucional do Tribunal Supremo de Justiça (TSJ – equivalente ao STF no Brasil) mantêm a posição de desconhecer a Assembleia Nacional (equivalente ao Congresso no Brasil) e, além disso, buscam permitir que o Executivo possa legislar em aspectos chave sem precisar contar com o apoio do Legislativo no marco do Decreto de Exceção ainda vigente. Por Partido Pirata da Venezuela* Se realmente ambas as regulações obedecem a suposições distintas e são respostas a solicitações interpostas em áreas específicas, se criam precedentes que podem vir a abarcar outros campos, ainda que com alcances que ainda estão por se definir. A diretora da cátedra Democracia e Eleições da Faculdade de Direito da UCV (Universidad Central de Venezuela), Eglée González Lobato, avalia a sentença 156 e assinala que a mesma foca nas competências da Assembleia Nacional apenas no que se refere à Lei de Hidrocarbonetos, advertindo que, com base nos argumentos colocados pela Sala Constitucional, abre-se um precedente para que o Tribunal possa tentar suprimir o Congresso. A advogada Aime Nogal defende que ambas as sentenças – 155 e 156 – estão vinculadas e afirma que há uma clara desautorização da competência da Assembleia Nacional e, ainda, que essas decisões podem levar a modificações das normas de modo que até mesmo civis possam ser julgados sob jurisdição militar. A Corte Constitucional do Tribunal Supremo de Justiça (TSJ) emitiu uma nova sentença na noite dessa quarta, 29 de março, na qual dispõe que assumirá as competências legislativas da Assembleia Nacional enquanto esta se encontre “em desacato”. É desse modo que ela tem considerado o status do Parlamento desde o começo do ano, por este negar-se a aceitar várias decisões do Poder Judicial. “Enquanto persista a situação de desacato e invalidez das atuações da Assembleia Nacional, essa Corte Constitucional garantirá que as competências parlamentares sejam exercidas diretamente por essa Corte ou pelo órgão que ela disponha, para velar pelo Estado de Direito”, assinala o ponto 4.4 da sentença 156 da dita Corte, correspondente ao expediente 17-0325. Essa decisão é parte da resposta a um recurso de interpretação solicitado ao tribunal máximo para analisar o alcance do artigo constitucional e outra da Lei Orgânica de Hidrocarbonetos. Nessas decisões distintas se estabelece que a constituição de empresas mistas “requer a aprovação prévia” da AN, “a cujo efeito o Executivo deverá informar de todas as circunstâncias pertinentes à dita Constituição e suas condições, inclusas as vantagens especiais previstas a favor da República”. A lei de Hidrocarbonetos indica que nessa matéria o Parlamento poderá modificar as condições propostas ou estabelecer aquelas que considere conveniente, e que qualquer modificação posterior também deverá ser submetida a avaliação dos deputados. Não obstante, o TSJ resolveu hoje que “não há impedimento algum” para que o Executivo constitua empresas mistas, indicando que esse deverá informar à Corte Constitucional “sobre todas as circunstâncias pertinentes à dita Constituição e suas condições”. Além disso, o TSJ sublinhou que, pelo fato de a Assembleia Nacional estar “atuando de fato”, não … Continue reading

Automação Seja Louvada

Automação Seja Louvada

Nesse artigo* eu discuto o problema de confiar em máquinas para fazer nosso trabalho, administrar nossos canais de notícias, dirigir nossos ônibus escolares, educar nossas crianças e uma porção de coisas que consideramos muito chatas e difíceis para fazer nós mesmos. Oh! E citações, muitas citações! Houston, nós temos um problema. De acordo com as mídias sociais, uma grande fração de nossa população estará em breve desempregada. Não apenas desempregada, mas inempregável. Graças ao rápido crescimento da automação e as recentes descobertas em Machine Learning, a maior parte da força de trabalho humana mundial será em breve obsoleta economicamente. Muito jovem para se aposentar, e muito velho para se treinar, haverá um enorme deslocamento de mão de obra não qualificada. Isso não é apenas especulação ociosa. Líderes cientistas e políticos reconheceram a urgência deste problema e a importância de abordá-lo em nossa sociedade.   Trens levarão 332 milhões de passageiros durante a maior migração da História.   Automação não afeta apenas o trabalho não qualificado. Muitos trabalhos que requerem formações avançadas e anos de experiência estão vulneráveis, incluindo um grande número de médicos, advogados e analistas financeiros. Cada uma dessas profissões faz trabalhos que já estão sendo aprendidos, automatizados e otimizados por máquinas. Mesmo a pesquisa matemática nos limites da nossa compreensão pode ser automatizada. Um número crescente de matemáticos hoje usa assistentes de prova interativos e provadores automáticos de teoremas para verificar provas e até mesmo derivar novas verdades. Mas se os eventos atuais apresentam qualquer indicação, o que é verdade e o que é verificável são questões completamente diferentes.   “E quando suas criações lhe ultrapassarem e encontrarem as respostas que você procura, você não irá entender suas análises e não poderá verificá-las. Você terá que aceitar suas palavras com fé – ou usar a teoria da informação para simplifica-la, para esmagar o hipercubo em duas dimensões e a garrafa de Klein em três para simplificar a realidade e orar para quaisquer deuses que sobreviverem o milênio pedindo que a sua honorável simplificação da verdade não venha danificar quaisquer de seus pilares fundamentais. Você irá contratar pessoas como eu, um cruzamento progênico de analisadores de perfil, assistentes de prova e teoristas da informação… em um contexto formal você pode me chamar de Synthesista.” —Peter Watts, Blindsight (2006)   Peter Watts, em sua primeira obra de ficção, Blindsight, imagina a profissão de “Synthesistas”, interpretadores profissionais que ajudam a traduzir a comunicação entre Inteligências Artificiais e humanos. Em um futuro onde a maioria das descobertas científicas são feitas por Inteligências Artificiais, synthesistas “explicam aquilo que é incompreensível para aquele que é indiferente”. O protagonista de Watts, Siri Keaton, é um oficial de ciências que viaja pelo espaço e encontra um Cérebro Matrioshka fora do sistema solar. Siri se une a uma missão de reconhecimento para coletar observações e verificar a verdadeira natureza desse estranho objeto. Mas como Siri logo percebe, nem todas as verdades podem ser verificadas. As ficções científicas futuristas tendem a cair dentro de três amplas categorias. Os … Continue reading

[Opinião] A escuta autoritária, o falar no lugar do outro.

[Opinião] A escuta autoritária, o falar no lugar do outro.

A escuta autoritária, o falar no lugar do outro. por galdino. * Este texto não reflete posicionamento do partido, mas se trata de um texto de opinião * “Afinal, o que é escuta autoritária? Acredito que seja uma postura (bastante comum, todos nós já a tivemos) de escuta, estruturada nas seguintes características: 1-) Escuto buscando o erro no discurso do outro, procurando o que preciso reclamar, o que preciso problematizar, o que está fora do lugar. Não há preocupação em entender, mas em buscar um ataque; 2-) O desprezo apriorístico: “Vai, fala, não deve sair nada bom mesmo, mas não custa deixar falar. Fala aí”; 3-) A escuta temporal: Eu escuto buscando o intervalo em que poderei fazer algum comentário genial, e “lacrar”. 4-) Negação da subjetividade: “É omi, cis, hetero e branco? Morre! Não tem que falar” (Como é que escuta assim, gente?)” Esse trecho foi retirado de um texto de Helena Vieira, publicado em seu perfil pessoal no Facebook. Embora esse tipo de postura não seja exclusiva de debates políticos, parece que tem se tornado um paradigma consolidado e intensificado nas redes sociais virtuais. Principalmente em redes que oferecem possibilidade de reprodução e “premiação” do discurso (uma curtida no Facebook, no Twitter etc.), existem claras recompensas na busca pelotiming da intervenção “lacradora” – como frases de efeito, o eco virtual é grande e fortalece o ego/Eu da pessoa, não necessariamente de uma forma saudável. Podemos pensar em uma dinâmica de elevação da autoestima pessoal através desse tipo de fortalecimento, algo que pode parecer satisfatório no curto prazo, mas que não resolve realmente o problema, mas o desloca. Mas não é a ideia deste texto desvendar os mecanismos e origens últimas desse tipo de comportamento caracterizado como “escuta autoritária”. Esses quatro pontos citados, eles podem servir para uma espécie de teste: podemos nos perguntar algo, pensando em cada um deles. 1) “quantas vezes eu fiquei apenas esperando um deslize para enquadrar a pessoa em uma categoria opressora, dando pouca atenção para o diálogo em geral?”; 2) “quantas vezes eu julguei a pessoa desde o início da conversa de forma que nunca encontraria satisfação em qualquer coisa que ela dissesse?”; 3) “quantas vezes eu fiquei torcendo por um tipo de comentário para poder jogar uma resposta “foda” e ganhar o debate?”; 4) “quantas vezes eu me recusei a dar espaço para a pessoa falar por conta de certas características dela, mesmo sem conhecer absolutamente nada sobre a vida da pessoa?”. E por aí vai. Se abaixamos um pouco as muralhas do nosso ego, podemos achar em nossa memória exemplos de diversas coisas assim. Teve aquele dia que promovemos uma sessão pública de ataques a uma pessoa que nem conhecemos porque ela disse algo que não pegou bem, esquecendo que na semana anterior fizemos algo parecido, mas o que importa mesmo é saber caçar bem um erro no discurso alheio (no nosso nem tanto). E aquela vez que nem queríamos ouvir o que alguém tinha a dizer, mesmo toda pessoa sendo … Continue reading

[Opinião] Um glossário quase sem preconceitos de expressões ditas “pós-modernas” (ou que quer que seja isso)

[Opinião] Um glossário quase sem preconceitos de expressões ditas “pós-modernas” (ou que quer que seja isso)

por galdino    Este texto foi inspirado por um outro que problematiza (sim, problematiza!) expressões de um tal vocabulário “pós-moderno”, de forma preconceituosa, cheia de distorções intencionais e desinformação, com o objetivo de valorizar uma perspectiva marxista sobre os mesmos assuntos. Antes de tudo, seria melhor explicar do que se trata esse tal de “pós-moderno“, algo que infelizmente não poderei fazer porque não existe nenhuma definição amplamente aceita sobre o termo*. Lance normal, segue o jogo:         PROBLEMATIZAR: Não tem muito a ver com explicação de eventos, e sim com uma postura diante de coisas naturalizadas ou que passam desapercebidas por nós por outros motivos. A problematização seria uma coisa bem simples: questionar o que nos é dado e apontar para como aquilo pode ser algo prejudicial para as relações sociais. Uma expressão que serviu historicamente para humilhar um setor étnico da sociedade, uma peça publicitária construída para reproduzir ideias sobre submissão das mulheres aos homens, e por aí vai. O tipo de análise a ser feito não tem a ver com o questionamento: pode-se muito bem adotar uma perspectiva ou método marxista para entender a raiz dos problemas. A problematização é algo que frequentemente pode ser feito de forma descontextualizada, inadequada ou simplesmente incorreta. E pode também ser uma viagem total, como problematizar a expressão “Vem, meteoro!” por ser algo que somente beneficiaria a “burguesia” (!!). O excesso de problematização sobre toda e qualquer coisa tem gerado efeitos como aversão a textões de feissebuqui e o aumento do uso da expressão “MEU DEUS DO CÉU QUE GALERA CHATA DO CARALHO”. Se for problematizar, não beba.  DESCONSTRUIR: essa expressão tem um uso bem simples, que diz respeito ao abandono de elementos opressores de nossa cultura, adquiridos durante nossa inserção social. Podem ser papéis de gêreno absorvidos através de produtos infantis, da educação familiar e programas de TV, por exemplo. Ideais de masculinidade aprendidos em casa e que são reforçados no colégio para que meninos não sofram bullying podem ser carregados ao longo de toda uma vida, interferindo nas suas relações sentimentais e sexuais no futuro. Isso é uma simplificação, mas é disso que se trataria a desconstrução nesse sentido mais usual. Infelizmente, muitas pessoas (homens obviamente) usam dessa expressão para fingir que são modernos, bem resolvidos, puros de opiniões machistas. E fazem isso pra “pegar mulher” na festinha de esquerda. Esse e outros tipos de atitude acabam em páginas de humor sobre homens desconstruidões. Além disso, vemos frequentemente pessoas que se dizem em processo de desconstrução de seus comportamentos e pensamentos opressores serem descobertas se comportando de forma incompatível com o discurso delas. Isso não precisa ser exatamente um problema, pois a ideia é justamente que desconstruir é um processo, que provavelmente sequer tem fim, pois nossa cultura seria violentamente opressora, de forma que não seria a coisa mais fácil do mundo se livrar disso. Por outro lado, pessoas também podem usar isso como desculpa para continuar causando prejuízos a outras pessoas.  Existe outra forma interessante de falar de desconstrução, … Continue reading

[Opinião]: “O que nos falta?”

[Opinião]: “O que nos falta?”

Este é um texto de opinião, que não reflete necessariamente a opinião do PIRATAS. por MrFrodo O que nos falta? Há algum tempo estamos nos perguntando o que nos falta para repetirmos a tomada das ruas de assalto como foi nos idos de 2013. O que nos falta para, enquanto maioria esmagadora perante os poderosos, fazermos eles, os de cima, tremerem novamente? O que nos falta, diante de tantos absurdos e retiradas de direitos, fazermos ecoar novamente nossas vozes nas ruas de todo o país? Razões não nos faltam. Aumento de repressão, aumento da austeridade, retirada de direitos, sucateamento de todos os serviços públicos essenciais, privatizações, crises em todas as instituições políticas e jurídicas, desemprego, encarecimento de tudo. Motivos não nos faltam. São tantas razões para nos fazer tomar o país inteiro de assalto novamente que chegamos em uma única conclusão: não nos falta nada, mas nos sobra. Pois então o que será que nos sobra, já que estão tomando tudo de nós? Nossos direitos, nossas vidas e nossos empregos estão sendo tomados, o que nos sobra para impedir as maiores mobilizações da história desse país novamente? Nos sobra o medo da agressão policial. Nos sobra o medo da prisão política. Nos sobra o medo da perseguição. Nos sobra a desesperança nas instituições, nos sindicatos, nos partidos e nas organizações. Nos sobra um enorme vazio político. Nos sobra a maior sensação de impotência que alguém pode sentir. Assistimos o noticiário descrentes do que nossos olhos vêem e lêem. Ouvimos as declarações da classe política sem conseguir compreender como aquelas declarações são dadas à plenos pulmões em rede nacional, sem qualquer constrangimento. Observamos os sindicatos e organizações que historicamente estiveram ao lado das lutas populares se calando ou se vendendo. Tudo que deveria nos faltar, nos sobra. Não, não deve ser assim. Devemos devorar nossos medos e fazer transbordar a revolta que sobra nas redes sociais para as ruas. Devemos nos armar com a coragem dos que estão na beira do abismo, onde a última opção é a coragem justamente pela falta de tudo. Só ela nos sobra. Ombro à ombro, irmãos e irmãs de luta, que sejamos novamente um o apoio do outro. Não há saída senão pela nossa própria luta e organização enquanto sociedade civil. Não será uma saída mágica que cairá dos céus, não, somente a luta política travada por baixo e à esquerda que sempre garantiu e expandiu os nossos direitos, somente essa luta nos garante o direito à vida. A história nos mostra isso sem qualquer dúvida, direitos não são concedidos pelas classes dominantes, mas são conquistados com sangue, suor e lágrimas do povo organizado. Se os sindicatos, partidos e organizações tradicionais nos traíram e se cegaram com o brilho do poder então criemos nós as condições para superá-los. Façamos nós nossos partidos, clandestinos ou não. Façamos nós nossos sindicatos e associações. Façamos nós nossas organizações políticas. Sempre prezando a horizontalidade e o caminho por baixo e a esquerda. Sempre coletivo. Não esperemos heróis demagogos descerem … Continue reading