STF esconde algoritmo dos seus “sorteios”

STF esconde algoritmo dos seus “sorteios”

por Guanyin Com a decisão de redistribuição de processos da Lava Jato, uma das ações contra o senador Aécio Neves (PSDB) caiu nas mãos do ministro Alexandre de Moraes, ex-filiado do PSDB e nomeado no Governo Temer. Já Gilmar Mendes, nomeado no governo tucano de FHC, será relator das ações contra José Serra (PSDB). Enquanto que o Ministro Barroso, indicado do PT, será o relator de inquérito contra deputado Vicente Cândido (PT). Coincidências? No Supremo, escolher o relator é quase definir o resultado. Parte das decisões do tribunal é tomada pelo próprio relator, sem a participação de outros ministros. Muitas vezes, o relator controla o timing de suas decisões no processo de maneira decisiva para o resultado. A escolha destes relatores, como se sabe, foi feita por sorteio. Mas não era qualquer tipo de sorteio, era um conduzido por um algoritmo. Este algoritmo, informa o Supremo, faz com que o sistema leve em consideração o número de processos que cada ministro recebeu por meio de sorteios. Essa dado aumenta ou reduz as chances de cada ministro ser escolhido. Ao não divulgar o código, não se permite que outras instituições e pesquisadores possam conferir se não há erros. Desta forma não é possível entender as etapas das decisões que foram aplicadas. No ano passado,  um cidadão, por meio da Lei de Acesso à Informação, pediu o código do algoritmo supostamente aleatório usado para distribuir os processos entre os ministros. O STF negou. Parafraseando o filósofo Stanislaw Lem, “os deuses não apenas jogam dados conosco. Eles não nos deixam ver o resultado obtido nos dados.” Já os ministros do STF mostram os resultados mas não os dados.

Oficina de WordPress para mulheres negras do Rio de Janeiro

Oficina de WordPress para mulheres negras do Rio de Janeiro

Minas Programam e PretaLab são duas iniciativas que querem promover a participação das meninas e mulheres negras e indígenas nos campos da inovação e tecnologia. No dia 24 de junho, promoveremos um encontro de formação em WordPress especialmente voltado para mulheres negras do Rio de Janeiro. O objetivo é compartilhar conhecimento sobre a ferramenta WordPress e atingir mulheres negras organizadas do Rio de Janeiro, que estejam engajadas com projetos próprios e queiram colocá-los no ambiente digital. Seja um blog, uma fanzine digital, um catálogo, uma vitrine de produtos, uma revista eletrônica, um portal informativo, um portfólio, etc. A atividade será aberta e gratuita. Mas é preciso fazer inscrições, pois as vagas são limitadas! A inscrição é individual ou em grupo de até 5 integrantes, com uma representante. IMPORTANTE! A inscrição não garante a participação, iremos selecionar as mulheres e grupos que mais se adequem à proposta, de acordo com a limitação das vagas. Se você ou seu grupo for selecionado para participar, você receberá um email comunicando! Dia 24 de junho no Olabi Makerspace. Inscrições pelo site: http://minasprogramam.com/projetos/wordpretas/

PIRATAS discutem encontro regional do partido

PIRATAS discutem encontro regional do partido

Encontro Regional Sudeste do Partido Pirata Segue tópico criado na ferramenta on-line de deliberação Loomio sobre encontro sudeste de pessoas associadas e não associadas do Partido Pirata: “Como previsto no Estatuto do PIRATAS, os encontros regionais ocorrem de dois em dois anos. Esse ano então, precisamos realizar o encontro da região sudeste, que é o que nos cabe de responsabilidade. Desde o ano passado estamos conversando, informalmente, nos chats em que os piratas sudestinos se reúnem, sobre a possibilidade do encontro regional acontecer ou na cidade do Rio de Janeiro-RJ, ou na cidade de Vitória-ES, para garantir uma “rotatividade” no território, uma vez que o encontro regional do ano de 2015 aconteceu em Belo Horizonte-MG, e a Assembléia Nacional – ANAPIRATA – do ano de 2016 ocorreu na cidade de São Paulo-SP. Pois bem, Existe a sugestão de aproveitar o fim de semana no qual acontecerá o evento Mana Pirata* (no sábado de manhã/tarde) e fazer o também encontro sudeste, na cidade do Rio de Janeiro, nos dias 30 de junho a 2 de julho. Data está muito próxima, mas precisamos ao menos apreciar, deliberar e então votar formalmente essa proposta, para, se for o caso, pensar em outras opções. E é isso que esse tópico busca fazer de forma bem objetiva.” A discussão pode ser acessada por qualquer pessoa interessada pelo link: https://www.loomio.org/d/5qgZQyRi/encontro-regional  Um trecho do encontro passado que ocorreu em Belo Horizonte pode ser visto no vídeo abaixo:

Por que professores estão escrevendo porcarias que ninguém lê

Por que professores estão escrevendo porcarias que ninguém lê

Daniel Lattier (versão em português: Givaldo Corcinio) Professores universitários normalmente gastam entre 3 e 6 meses (as vezes mais tempo ainda) pesquisando e escrevendo artigos de 25 páginas para submetê-los para revistas acadêmicas. E a maior expectativa é de receber um e-mail – ou uma carta – meses depois informando que seu artigo foi aceito para publicação e que ele poderá ser lido por uma média de… dez pessoas. Sim, você leu corretamente! Os números apontados por estudos recentes são assustadores: – 82% dos artigos publicados em humanidades não foram citados nem uma única vez; – Dos que foram citados, apenas 20% foram realmente lidos; – Metade dos artigos acadêmicos nunca foi lido por alguém que não fosse seu autor, os pareceristas e os editores das revistas. Então, qual o motivo dessa sandice? Por que o mundo continua a publicar quase 2 milhões de artigos acadêmicos por ano? Bom, a maior motivação é dinheiro e garantia de emprego. O objetivo de todos os professores é se efetivar e, ainda hoje, a efetivação é baseada em parte pelo quanta publicação em revistas acadêmicas se tem. Os conselhos de avaliação tratam essas publicações como evidência de que o professor tem condições de conduzir pesquisas mais profundas e maduras. Infelizmente, todavia, muitos artigos acadêmicos atualmente são meros exercícios do que um professor que conheci chamou de “plágio criativo”: reorganização de pesquisas antigas com uma tese nova vinculada a elas. Outro motivo é o crescimento da especialização da era moderna, o que fez com que as universidades se dividissem em diversas disciplinas e departamentos, cada qual com sua própria lógica. Um efeito infeliz dessa especialização é que o assunto da maioria dos artigos acaba se tornando inacessível para o público, e até mesmo para a maioria esmagadora dos professores. (Acredite em mim: a maior parte dos acadêmicos sequer quer ler os textos dos seus colegas) Alguns dos títulos no mais recente número da “journal of the American Academy of Religion”, que se proclama como a “melhor revista acadêmica do campo de estudos religiosos”, serve como exemplo: “Rosário da Dona Benta: Administrando a ambiguidade num grupo de oração feminino brasileiro” “Morte e demonização do Bodhisattva: Reformulação de Guanyin e Religião Chinesa” “Noivas e Manchas: Deficiências femininas incomuns na lei matrimonial rabínica” Assim, o crescimento da especialização tem causado o crescimento da alienação, não só entre os professores e o público em geral, mas também entre os professores mesmo. Tudo isso é muito desanimador. Idealmente, as grandes mentes da acadêmia podem produzir para sacudir uma sociedade para resolver seus problemas. Entretanto, a maioria dos acadêmicos ocidentais estão usando seu capital intelectual para responder questões que ninguém questionou em páginas que ninguém lê. E isso é um lixo

“Matem seus filhos ou nós o faremos” – sobre a patologização e criminalização de pessoas LGBTQIAP

“Matem seus filhos ou nós o faremos” – sobre a patologização e criminalização de pessoas LGBTQIAP

por Bemfica O Brasil é o país que mais mata pessoas trans no mundo. De acordo com levantamento feito pela ONG Transgender Europe, em 2015 o país representou nada menos que 42% dos assassinatos motivados por transfobia mundialmente (fonte em inglês) . Ironicamente, também é o país que mais consome pornografia trans no mundo, de acordo com estatísticas do site RedTube (em inglês). Seja pela fetichização, seja pelo assassinato, as pessoas trans sofrem diuturnamente com uma sociedade que as invisibiliza e criminaliza. O caso recente do sequestro – sob a prerrogativa de “intervenção psiquiátrica” – da travesti Bruna Andrade é mais um exemplo de outras formas como esses ataques sistêmicos ocorrem. Vitíma de uma armadilha tramada pela mãe, Bruna foi internada compulsoriamente em uma comunidade terapêutica, tendo sido sequestrada em São Gonçalo, no Rio de Janeiro, e levada para uma localidade em Taubaté, no interior de São Paulo. Esse caso retrata uma realidade vivida por muitas pessoas desviantes da norma social instituída. Como Bruna foi levada por ser trans, pessoas são levadas por consumirem drogas, possuírem posicionamentos políticos específicos, serem neuroatípicas ou não se enquadrarem nos padrões heterocisnormativos – sem que quaisquer desses comportamentos represente uma ameaça de fato para outras pessoas. Os locais de “despejo” dessas pessoas são as chamadas “comunidades terapêuticas”, instituições geralmente ligadas a órgãos religiosos que prometem “cura” de maneira milagrosa para pessoas que não se adequam aos padrões socialmente estabelecidos. Muitos desses sequestros se baseiam em um dispositivo de lei falho, que permite a internação forçada desde que autorizada por um parente direto. Embora a lei coloque determinadas restrições, como a necessidade de um laudo médico ou outra comprovação de que a pessoa representa perigo a si mesma ou a terceiros, na prática essas restrições não são cumpridas ou minimamente fiscalizadas. No caso de Bruna, por exemplo, nem a empresa que realizou a remoção nem a comunidade terapêutica para a qual foi levada possuem registro no Conselho Regional de Medicina de São Paulo, tampouco a ambulância usada no transporte é credenciada junto ao Conselho Federal de Medicina, não podendo, portanto, transportar pacientes. É conhecida a atuação clandestina desse tipo de organização, bem como as constantes violações de direitos humanos que acontecem dentro delas. Entidades que atuam na pauta da luta antimanicomial vêm realizando há anos denúncias sobre essa situação, que cotidianamente faz pessoas vítimas em uma sistemática que envolve ódio, preconceito e amplas somas de dinheiro. Outro caso exemplar dessa situação são os campos de concentração para homens não-heterossexuais na Chechênia. Situação que vem sido amplamente denunciada desde abril último, inclusive com campanha da Anistia Internacional sobre o tema, essas pessoas estão sendo caçadas, atraídas para armadilhas e colocadas em prisões secretas apenas por sua orientação sexual (e, embora pela quantidade escassa de relatos não se possa afirmar com certeza, existe o risco de que pessoas trans que foram designadas homens ao nascer estejam também sendo vítimas do ocorrido). O governo checheno se pronunciou negando não só as acusações, mas também a própria existência destes … Continue reading

Perspectivas Libertárias: “Essa democracia é um mito que devemos destruir”

Perspectivas Libertárias: “Essa democracia é um mito que devemos destruir”

De tempos em tempos, crises políticas são jogadas ao público, provocando grandes momentos de agitação política nas redes e nas ruas, com cobertura midiática nos alimentando com meias informações, e gerando debates acirrados e polarizados em torno de qual deve ser a solução para tais crises. E aí entram duas opções: solucionar a crise trocando as peças do tabuleiro ou perceber que o tabuleiro é a própria causa da crise. por galdino*   Nosso país, assim como as chamadas “democracias” ao redor do mundo, não é governado por uma pessoa, nem por meia dúzia. Nem mesmo pelo poder executivo, embora a quantidade de decretos saindo dele e passando por cima dos outros dois “poderes” tenha aumentado assustadoramente ao redor do mundo desde o fim da Segunda Guerra Mundial. Mas o poder simbólico desse cargo ainda é tão grande que qualquer cobertura de um processo eleitoral envolvendo presidência (ou equivalentes no imaginário da população) foca exageradamente nele, como se ali encontrássemos o acontecimento decisivo. E nossas instituições reforçam essa ideia de que a grande decisão sobre os rumos do país é tomada elegendo alguém para a presidência da República. E, em certo sentido, a grande solução para os nossos problemas mais diversos em nível nacional é apresentada como uma escolha correta nesse processo, e toda crise só pode mesmo ser solucionada, evitada, ou amenizada mexendo nesse cargo. Mas o nosso sistema de governo não se resume a isso. Não se resume sequer à esfera pública. Onde são tomadas todas as decisões mais impactantes que movem nossa sociedade? Uma pessoa no cargo de presidência pode vetar leis que já passaram no Senado e na Câmara, mas não pode ficar vetando tudo o tempo todo, mesmo que supostamente esteja fazendo parte de um grupo político rival. É preciso negociar para sustentar as aparências, e é importante que se tente fazer isso longe dos olhos públicos, porque basta parecer que algo não vai bem que toda uma crise política pode se produzir. De onde surgem as ideias de projetos de lei? Como eles se alinham com o interesse de empresas que doam quantidades enormes de dinheiro para tudo quanto é gente de tudo quanto é partido? As recentes revelações vindas da Odebrecht e da JBS apontam definitivamente, para que se saiba sem sombra de dúvida, que nosso sistema político é movido por interesses e poderes que nada têm a ver com discursos em debates eleitorais e panfletos distribuídos na rua. Nós estamos tendo o terrível privilégio de assistir a revelação de parte das entranhas de nosso sistema. Estamos olhando no abismo, e ele quer olhar de volta para nós. Qual a solução para as mais recentes crises? Pessoas falam em “Diretas Já”, eleições indiretas, devolução do cargo à ex-presidente, em eleger a pessoa certa dessa vez. Ora, em geral, já elegemos essas pessoas que aparecem como opções. Elas não saíram de um portal vindas de outra dimensão; elas estão comprometidas com esse sistema, que por sua vez está comprometido com tudo, menos com o … Continue reading

O que é o mega ciberataque, o que fazer e reflexões sobre liberdade e segurança na rede

O que é o mega ciberataque, o que fazer e reflexões sobre liberdade e segurança na rede

por Apolinário Hoje (12/05) está rolando um grande ciberataque ao redor do mundo, utilizando-se de ransomwares. Ransomware são uma modalidade de malware que criptografa arquivos na máquina atacada e pede um resgate, normalmente usando uma criptomoeda como bitcoin, para descriptografar e devolver os arquivos. Um “sequestro virtual” dos arquivos. Quem assistiu ao seriado “Mr Robot” já viu como funciona (quem não viu, veja). Esse tipo de ataque não surgiu agora, em 2015 os sistemas da prefeitura de Pratânia, interior de SP foram bloqueados e um resgate de US$3000 pedido. Esse ataque, depois de instalado, realmente tem bem poucas escolhas a se fazer: é ou pagar ao hacker, ou ficar sem os arquivos. Essa é a recomendação até mesmo do FBI: se quer os arquivos de volta, pague. O que tem de novo agora é que o ataque parece massivo e global, tendo chegado inclusive ao Brasil. Navegando por redes atacadas da Telefonica e de outras teles, o ransomware chamado WannaCry parece estar automaticamente escaneando computadores e infectando automaticamente esses computadores com sistemas antigos, que possuem vulnerabilidades conhecidas, encriptando essas máquinas e cobrando um resgate de inicialmente US$300 em BTC para desbloquear o sistema. Os valores costumam ser propositadamente baixos para que a pessoa se disponha a pagar para evitar maiores dores de cabeça. E os fraudadores ganham na escala. Para quem quiser acompanhar, o MalwareInt da Intel está acompanhando dispositivos infectados pelo WannaCry em tempo real. Há indícios de que, inclusive, um malware que a NSA usava para fins de espionagem ter sido usado por esses hackers para espalhar o ransomware WannaCry nos sistemas que está infectando. O EternalBlue, malware fabricado pela NSA, que entre outras funções, a agência utilizava para invadir bancos no Oriente Médio, foi liberado para o público pelo grupo hacker ShadowBrowkers. Aparentemente em sistemas com Windows Server 2003 e Windows XP, que ainda são bastante utilizados corporativamente embora não tenham mais suporte nem atualizações, estejam sendo sejam os mais afetados. Entretanto, a falha pode afetar todos os dispositivos que rodam Windows e que não atualizaram os seus sistemas com o patch de segurança liberado pela Microsoft no dia 14 de Março de 2017. Para explicações mais técnicas e detalhadas sobre o ataque, leia no blog da Kaspersky. O QUE EU, PESSOA NORMAL QUE TÔ LENDO SOBRE ISSO, DEVO FAZER? 1. E eu, que tô aqui no meu Macbook, no meu note Windows 7-10 ou no celular, preciso fazer alguma coisa imediatamente? Aparentemente os computadores com os sistemas mais recentes e atualizados não estão sendo infectados nesse ataque. Ainda assim, atualize seu sistema operacional para a última versão, sobretudo se você não atualiza desde Março (data que a Microsoft corrigiu a falha de SMB que permite as invasões). De resto, tenha um sistema de proteção (anti-virus, anti-malware, etc.), não execute softwares esquisitos ou que você não saiba exatamente quais são. Se você quiser se aventurar mais ainda, dispositivos Linux costumam sofrer menos esse tipo de ataque. Agora se você tem Windows XP, atualize AGORA. Se você usa um computador com Windows … Continue reading

Por que não vamos vencer a guerra às drogas

Por que não vamos vencer a guerra às drogas

por Tim Haslett* É um truísmo do pensamento sistêmico que sistemas sustentáveis geram seu próprio comportamento. Tecnicamente, isso significa que há sistemas de feedback positivo que mantêm o sistema funcionando. Isso é parcialmente verdade no tráfico de drogas. A primeira dinâmica importante é a forma que a oferta de heroína mantém o estoque de heroína em uma dada comunidade. Esta dinâmica é a clássica oferta e procura. À medida que a oferta de heroína aumenta, o estoque de heroína na mão de traficantes aumenta. Isso por sua vez diminui o preço, o que faz a oferta desacelerar. Mas quando a oferta desacelera, o estoque de heroína diminui e o preço sobe de novo. De forma geral, haverá um equilíbrio nessa dinâmica. Aumente ou diminua a quantidade de uma variável para rodar! Clique em “Reset” pra começar de novo e “Remix” para abrir o diagrama em outra página, ou criar o seu! Deslize a barra embaixo para diminuir ou aumentar a velocidade da animação. A outra parte da dinâmica é a apreensão de grandes carregamentos de heroína pelas autoridades. Tais apreensões diminuem a quantidade de heroína disponível no mercado, fazendo o preço subir e aumentando (o incentivo para a) oferta. A maioria de nós não se dá conta de quão bem organizada é a logística dessa indústria. Apreensões de drogas têm pouco efeito além de aumentar o preço a curto-prazo. Experimente aumentar as apreensões! Contudo, há uma consequência do aumento do preço, mostrada no próximo loop. O aumento leva a um crescimento em pequenos crimes: assaltos, roubos de carros, pequenos furtos, etc.1 Essas ondas de pequenos crimes são frequentemente enfrentadas pelas autoridades com uma série de prisões, mandando vários viciados para a cadeia local. A falta de viciados nas ruas leva a uma pequena queda no uso, e uma sobra de heroína no mercado. O fato de que viciados condenados costumam ter acesso a drogas na prisão não é algo em que as autoridades não gostam de pensar muito. Há uma dinâmica final nesse loop. Ela se chama marketing nesse diagrama e representa o que os traficantes fazem quando eles têm pouca quantidade de droga parada, sem conseguir vender. Eles simplesmente a distribuem para não-viciados na esperança de que eles criem um hábito. Se essa estratégia tiver sucesso, ela substitui o viciado preso com um novo viciado. E lembre-se, o viciado antigo provavelmente ainda está usando heroína na prisão, então o consumo total de heroína provavelmente subiu por causa disso. A lógica desse diagrama indica que a guerra às drogas não faz nada além de criar flutuações o preço da heroína. Mas essas flutuações, e o aumento de preço que delas resulta, faz aumentar o número de crimes. As políticas públicas usadas até agora tem sido punitivas: a apreensão de drogas e a prisão de pessoas envolvidas com o tráfico. Essas políticas parecem ter feito pouco pra resolver o problema do consumo de drogas em nossas comunidades. Há na verdade dois outros pontos de atuação2 que podem ser usados. O primeiro é reduzir o número de viciados. Há duas formas de fazer … Continue reading

100 anos da Greve Geral: uma breve História da Luta Trabalhista no Brasil

100 anos da Greve Geral: uma breve História da Luta Trabalhista no Brasil

Poucos sabem, mas a força do Movimento Operário era bem maior no começo de século até 1934, porque os Sindicatos, Ligas e Uniões Operárias eram livres e não sofriam controle do Governo, dos partidos políticos e nem dos patrões. por Guanyin* Foram essas organizações, a grande maioria de orientação internacionalista e anarquista, que em 1906 realizaram o I Congresso Brasileiro e deliberaram pela necessidade de se criar uma confederação sindical. Em 1908 a Confederação Operária Brasileira (COB) já editava o jornal “A Voz do Trabalhador” noticiando as lutas dos trabalhadores do Brasil e do mundo. A COB realizou seu II Congresso em 1913, tendo sido responsável pela deflagração da Greve Geral de 1907 pelas 8 horas de trabalho (aprovada no I Congresso) e responsável – junto com os anarquistas – pela deflagração da Campanha contra o Fascismo. Em 1917 são seus aderentes que promovem a Greve Geral que colocou São Paulo nas mãos dos operários. Em 1920 a COB realizou seu terceiro e último Congresso. Em 1934, após enfrentamentos com os fascistas e com o Governo, o movimento anarcossindicalista sofre as maiores repressões, tendo muitos de seus militantes mortos, presos ou deportados. A partir de 1934, Getúlio Vargas cria o Ministério do Trabalho, proíbe a existência de sindicatos livres, cria o imposto sindical e a CLT, nela colocando – em forma de lei – todas as conquistas das lutas e greves anteriores. Getúlio promove a migração interna trazendo camponeses para a cidade e ajudando a indústria a eliminar os serviços especializados desempenhados por operários estrangeiros considerados como “agitadores”. Em 1937 Getúlio dá um Golpe de Estado e impõe uma Ditadura. Entre os fatores de esvaziamento da luta sindical a partir dessa data, podemos citar o papel dos comunistas de apoio ao Governo na destruição dos Sindicatos Livres e do lançamento entre os operários de um ideal reformista de “tomada do poder pelo Partido Operário”; a criação de sindicatos sustentados pelo próprio governo e a repressão feroz contra o movimento libertário e anarcossindicalista, pelo Governo e pelo Partido Comunista. De lá para cá nada mudou. Os sindicatos continuam atrelados e nenhuma conquista verdadeira foi conseguida a partir de 1930. Reformas vem e vão, sempre retirando direitos, dando acenos tímidos a qualquer proposição de modernização, mais autonomia e poder às pessoas trabalhadoras, mas sempre em benefício do interesse patronal e dos sindicatos, que muitas vezes se misturam e parecem uma só coisa. Os sindicatos são hoje grandes aparatos financeiros, verdadeiros órgãos públicos administrados por pelegos e políticos, todos a usar o trabalhador.  Não existe livre associação sindical e muito menos mecanismos horizontais de participação em todos os níveis. Grande parte das pessoas trabalhadoras não se identifica nem com a Central Única dos Trabalhadores (CUT) e muito menos com Força Sindical, ambas reformistas e atreladas a Governos e Partidos Políticos a se sustentar do roubo que é o Imposto Sindical.  Aliás, por pressão de entidades patronais, como a Confederação Nacional da Indústria (CNI) e a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo … Continue reading

Comunicado do Partido Pirata dos EUA sobre os ataques à Síria

Comunicado do Partido Pirata dos EUA sobre os ataques à Síria

Por Partido Pirata dos EUA* Por ordem do presidente Donald Trump, navios de guerra dos EUA lançaram entre 50-60 mísseis Tomahawk contra uma base aérea do governo sírio. O Partido Pirata dos EUA condena veementemente estes ataques e apela ao Poder Executivo e ao Congresso que acabem com toda a intervenção dos EUA na Síria. Além disso, pedimos que todas as pessoas de espírito democrático e justo para que entrem em contato com ambos e exijam o fim imediato das hostilidades. O vídeo de um suposto ataque com gás sarin foi publicado menos de 48 horas atrás. Como se pode descobrir o que é real e o que não é em um período tão curto de tempo? Quando vidas inocentes estão potencialmente em jogo, uma discrição muito maior é necessária. Não houve uma votação no Congresso para ir à guerra. Isso faz com que esta ação seja inconstitucional: os poderes presidenciais expandidos que Trump herdou de Obama não são constitucionais. Essa ação também é ilegal sob a lei internacional. Piratas valorizam o imperativo de soberania local e democracia contra intervenções imperialistas. Nós valorizamos transparência e deliberação antes da ação. Acreditamos que, qualquer que seja o crime do qual se acusa alguém, uma investigação justa e completa deve ser garantida antes do uso da força. Por isso e pela desumanidade básica em travar uma guerra não provocada, piratas dos Estados Unidos se opõem a essa ação ilegal, imoral e imperialista. *Esta é a declaração oficial do Pirate Party US não sendo necessariamente ponto de vista de membros do Partido Pirata Brasil