Não Atire no Mensageiro

Não Atire no Mensageiro

texto de Markus Ra Logo após um recente ataque terrorista, membros de governos em todo o mundo renovaram seus pedidos de instalação de backdoors em aplicativos de mensagens criptografadas de ponta-a-ponta. Ao mesmo tempo, jornalistas cometeram um monte de erros em sua cobertura, como de costume. MENSAGENS PRIVADAS O principal medo das pessoas é de que terroristas usem aplicativos criptografados para enviar mensagens secretas para preparar e coordenar seus ataques. De maneira superficial, pode parecer realmente tentador simplesmente banir criptografia ponta-a-ponta com o objetivo de impedir terroristas de trocarem mensagens codificadas. A triste verdade é que isso não irá funcionar. Terroristas estão preparados para enfrentar grandes adversidades para garantir que suas comunicações sejam seguras e que sua tarefa seja bem-sucedida, incluindo a maior de todas as adversidades: sua própria morte. Então, se você banir ou criar um backdoor em aplicativos de mensagens, eles irão imediatamente mudar para uma das seguintes táticas: Criar seus próprios aplicativos. A tecnologia para criar mensagens criptografadas é de conhecimento público. Nos dias de hoje, qualquer pessoa pode criar um mensageiro criptografado de ponta-a-ponta. Esses novos aplicativos poderiam não ter muitos recursos que chamem atenção, e dependeriam de instalação manual, contornando as lojas da Apple ou Google, mas eles funcionariam. Existem boatos de que o Estado Islâmico possui seu próprio aplicativo desde janeiro de 2016. Utilizar linguagem codificada. Esteganografia é a palavra chique que significa esconder uma informação em plena vista. Você pode usar qualquer canal público ou monitorado de forma segura, se apenas você e seu remetente souberem o que significa “Tio Chico vai ao shopping amanhã”. Usar outros métodos de comunicação. Você, um usuário qualquer, talvez não queira comprar um telefone novo, nem fazer uma chamada ou mandar um zap, e então jogar seu celular no lixo. Mas isso é exatamente o que os terroristas em Paris fizeram para se organizar e levar a frente o mais sangrento ataque do Estado Islâmico na Europa até hoje. Como você pode ver, em muitos casos, terroristas sequer precisam mudar alguma coisa. Eles já possuem alternativas perfeitamente viáveis aos aplicativos criptografados existentes. Você, por outro lado, não tem. Pessoas comuns não estão preparadas para encarar o desconforto de aplicativos de difícil usabilidade, e muito menos para usar linguagens secretas ou telefones descartáveis para garantir sua privacidade. Como resultado, a única coisa que backdoors instalados por ordem de governos podem conseguir é a possibilidade de vigilância em massa e expor sua privacidade para hackers ou agentes corruptos de governos. [1] MENSAGENS PÚBLICAS Mas isso não significa que nós não possamos fazer nada em relação aos planos terroristas. Outro uso crucial que terroristas fazem de serviços de comunicação em massa é espalhar suas mensagem e fazer com que maior número de pessoas possíveis fiquem cientes de seus atos. É por isso que tudo quanto é organização terrorista tem usado ultimamente mídias sociais como Twitter, Facebook e outras para publicizar seus conteúdos e ameaças. Canais públicos usados por terroristas ainda surgem de vez em quando, da mesma forma que surgem … Continue reading

O que é o mega ciberataque, o que fazer e reflexões sobre liberdade e segurança na rede

O que é o mega ciberataque, o que fazer e reflexões sobre liberdade e segurança na rede

por Apolinário Hoje (12/05) está rolando um grande ciberataque ao redor do mundo, utilizando-se de ransomwares. Ransomware são uma modalidade de malware que criptografa arquivos na máquina atacada e pede um resgate, normalmente usando uma criptomoeda como bitcoin, para descriptografar e devolver os arquivos. Um “sequestro virtual” dos arquivos. Quem assistiu ao seriado “Mr Robot” já viu como funciona (quem não viu, veja). Esse tipo de ataque não surgiu agora, em 2015 os sistemas da prefeitura de Pratânia, interior de SP foram bloqueados e um resgate de US$3000 pedido. Esse ataque, depois de instalado, realmente tem bem poucas escolhas a se fazer: é ou pagar ao hacker, ou ficar sem os arquivos. Essa é a recomendação até mesmo do FBI: se quer os arquivos de volta, pague. O que tem de novo agora é que o ataque parece massivo e global, tendo chegado inclusive ao Brasil. Navegando por redes atacadas da Telefonica e de outras teles, o ransomware chamado WannaCry parece estar automaticamente escaneando computadores e infectando automaticamente esses computadores com sistemas antigos, que possuem vulnerabilidades conhecidas, encriptando essas máquinas e cobrando um resgate de inicialmente US$300 em BTC para desbloquear o sistema. Os valores costumam ser propositadamente baixos para que a pessoa se disponha a pagar para evitar maiores dores de cabeça. E os fraudadores ganham na escala. Para quem quiser acompanhar, o MalwareInt da Intel está acompanhando dispositivos infectados pelo WannaCry em tempo real. Há indícios de que, inclusive, um malware que a NSA usava para fins de espionagem ter sido usado por esses hackers para espalhar o ransomware WannaCry nos sistemas que está infectando. O EternalBlue, malware fabricado pela NSA, que entre outras funções, a agência utilizava para invadir bancos no Oriente Médio, foi liberado para o público pelo grupo hacker ShadowBrowkers. Aparentemente em sistemas com Windows Server 2003 e Windows XP, que ainda são bastante utilizados corporativamente embora não tenham mais suporte nem atualizações, estejam sendo sejam os mais afetados. Entretanto, a falha pode afetar todos os dispositivos que rodam Windows e que não atualizaram os seus sistemas com o patch de segurança liberado pela Microsoft no dia 14 de Março de 2017. Para explicações mais técnicas e detalhadas sobre o ataque, leia no blog da Kaspersky. O QUE EU, PESSOA NORMAL QUE TÔ LENDO SOBRE ISSO, DEVO FAZER? 1. E eu, que tô aqui no meu Macbook, no meu note Windows 7-10 ou no celular, preciso fazer alguma coisa imediatamente? Aparentemente os computadores com os sistemas mais recentes e atualizados não estão sendo infectados nesse ataque. Ainda assim, atualize seu sistema operacional para a última versão, sobretudo se você não atualiza desde Março (data que a Microsoft corrigiu a falha de SMB que permite as invasões). De resto, tenha um sistema de proteção (anti-virus, anti-malware, etc.), não execute softwares esquisitos ou que você não saiba exatamente quais são. Se você quiser se aventurar mais ainda, dispositivos Linux costumam sofrer menos esse tipo de ataque. Agora se você tem Windows XP, atualize AGORA. Se você usa um computador com Windows … Continue reading

Tirar do ar ou bloquear sites é censura, decidem tribunais

Tirar do ar ou bloquear sites é censura, decidem tribunais

Brasil e México tem vitórias significativas no quesito liberdade de expressão Justiça não pode tirar blogs e sites do ar, decide ministro do STF por Mariângela Gallucci                 O ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Dias Toffoli concluiu em uma decisão liminar (provisória) que a Justiça não pode determinar a retirada do ar de blogs e sites sob pena de impedir a atividade jornalística. Toffoli suspendeu uma decisão judicial do Mato Grosso do Sul que havia determinado a exclusão da internet do “Blog do Nélio”, do jornalista Nélio Raul Brandão. “Toda a lógica constitucional da liberdade de expressão e da liberdade de comunicação social aplica-se aos chamados ‘blogs jornalísticos’ ou ‘jornalismo digital’, o que resulta na mais absoluta vedação da atuação estatal no sentido de cercear, ou no caso, de impedir a atividade desempenhada pelo reclamante”, afirmou Toffoli na decisão favorável ao jornalista. Leia a íntegra da decisão. Ao determinar que o blog fosse retirado do ar, o juiz Paulo Afonso de Oliveira, da 2ª Vara Cível de Campo Grande, havia atendido a 1 pedido da ASMMP (Associação Sul Mato-grossense dos Membros do Ministério Público). A associação alegou que informações publicadas no blog não eram verídicas. Também foi argumentado que o jornalista teria descumprido determinações anteriores da Justiça para que se abstivesse de veicular textos com conteúdo considerado pejorativo ao MP do Mato Grosso do Sul e a seus integrantes. Conforme a decisão do juiz, se o blog fosse mantido no ar, o jornalista poderia ser preso. Em seu despacho, Toffoli citou julgamento no qual o STF (Supremo Tribunal Federal) reconheceu o amplo direito à liberdade de imprensa e afastou a possibilidade de controle prévio das publicações. Conforme a decisão do STF, esse controle deve ser feito após o exercício livre da atividade jornalística. Para o ministro, a decisão da Justiça do Mato Grosso do Sul resultou em “inaceitável prática judicial inibitória e censória da liberdade constitucional de expressão”. Para o ministro, a decisão da Justiça do Mato Grosso do Sul resultou em “inaceitável prática judicial inibitória e censória da liberdade constitucional de expressão”. “Há plausibilidade na tese de que a determinação de retirada do domínio eletrônico ‘Blog do Nélio’ do ambiente virtual, sob pena de prisão do profissional em caso de descumprimento, constitui intervenção vedada ao poder de polícia estatal perante eventuais abusos no exercício da liberdade de manifestação de pensamento”, disse Toffoli. “Note-se que a decisão reclamada impede, inclusive, a veiculação de notícias outras que sequer têm relação com as notícias que deram ensejo ao ajuizamento da ação”, completou o ministro. Essa decisão de Dias Toffoli é 1 marco na jurisprudência sobre liberdade de imprensa e opinião no país. Como se trata –apesar de provisória– de uma posição do Supremo Tribunal Federal, a tendência é que esse entendimento possa ser seguido pelas instâncias inferiores da Justiça. Enquanto isso, no México: Bloquear sites de pirataria viola liberdade de expressão, decide tribunal no México do O Informador O governo não pode ordenar o bloqueio de sites que compartilham material protegido por … Continue reading

Por que não vamos vencer a guerra às drogas

Por que não vamos vencer a guerra às drogas

por Tim Haslett* É um truísmo do pensamento sistêmico que sistemas sustentáveis geram seu próprio comportamento. Tecnicamente, isso significa que há sistemas de feedback positivo que mantêm o sistema funcionando. Isso é parcialmente verdade no tráfico de drogas. A primeira dinâmica importante é a forma que a oferta de heroína mantém o estoque de heroína em uma dada comunidade. Esta dinâmica é a clássica oferta e procura. À medida que a oferta de heroína aumenta, o estoque de heroína na mão de traficantes aumenta. Isso por sua vez diminui o preço, o que faz a oferta desacelerar. Mas quando a oferta desacelera, o estoque de heroína diminui e o preço sobe de novo. De forma geral, haverá um equilíbrio nessa dinâmica. Aumente ou diminua a quantidade de uma variável para rodar! Clique em “Reset” pra começar de novo e “Remix” para abrir o diagrama em outra página, ou criar o seu! Deslize a barra embaixo para diminuir ou aumentar a velocidade da animação. A outra parte da dinâmica é a apreensão de grandes carregamentos de heroína pelas autoridades. Tais apreensões diminuem a quantidade de heroína disponível no mercado, fazendo o preço subir e aumentando (o incentivo para a) oferta. A maioria de nós não se dá conta de quão bem organizada é a logística dessa indústria. Apreensões de drogas têm pouco efeito além de aumentar o preço a curto-prazo. Experimente aumentar as apreensões! Contudo, há uma consequência do aumento do preço, mostrada no próximo loop. O aumento leva a um crescimento em pequenos crimes: assaltos, roubos de carros, pequenos furtos, etc.1 Essas ondas de pequenos crimes são frequentemente enfrentadas pelas autoridades com uma série de prisões, mandando vários viciados para a cadeia local. A falta de viciados nas ruas leva a uma pequena queda no uso, e uma sobra de heroína no mercado. O fato de que viciados condenados costumam ter acesso a drogas na prisão não é algo em que as autoridades não gostam de pensar muito. Há uma dinâmica final nesse loop. Ela se chama marketing nesse diagrama e representa o que os traficantes fazem quando eles têm pouca quantidade de droga parada, sem conseguir vender. Eles simplesmente a distribuem para não-viciados na esperança de que eles criem um hábito. Se essa estratégia tiver sucesso, ela substitui o viciado preso com um novo viciado. E lembre-se, o viciado antigo provavelmente ainda está usando heroína na prisão, então o consumo total de heroína provavelmente subiu por causa disso. A lógica desse diagrama indica que a guerra às drogas não faz nada além de criar flutuações o preço da heroína. Mas essas flutuações, e o aumento de preço que delas resulta, faz aumentar o número de crimes. As políticas públicas usadas até agora tem sido punitivas: a apreensão de drogas e a prisão de pessoas envolvidas com o tráfico. Essas políticas parecem ter feito pouco pra resolver o problema do consumo de drogas em nossas comunidades. Há na verdade dois outros pontos de atuação2 que podem ser usados. O primeiro é reduzir o número de viciados. Há duas formas de fazer … Continue reading

100 anos da Greve Geral: uma breve História da Luta Trabalhista no Brasil

100 anos da Greve Geral: uma breve História da Luta Trabalhista no Brasil

Poucos sabem, mas a força do Movimento Operário era bem maior no começo de século até 1934, porque os Sindicatos, Ligas e Uniões Operárias eram livres e não sofriam controle do Governo, dos partidos políticos e nem dos patrões. por Guanyin* Foram essas organizações, a grande maioria de orientação internacionalista e anarquista, que em 1906 realizaram o I Congresso Brasileiro e deliberaram pela necessidade de se criar uma confederação sindical. Em 1908 a Confederação Operária Brasileira (COB) já editava o jornal “A Voz do Trabalhador” noticiando as lutas dos trabalhadores do Brasil e do mundo. A COB realizou seu II Congresso em 1913, tendo sido responsável pela deflagração da Greve Geral de 1907 pelas 8 horas de trabalho (aprovada no I Congresso) e responsável – junto com os anarquistas – pela deflagração da Campanha contra o Fascismo. Em 1917 são seus aderentes que promovem a Greve Geral que colocou São Paulo nas mãos dos operários. Em 1920 a COB realizou seu terceiro e último Congresso. Em 1934, após enfrentamentos com os fascistas e com o Governo, o movimento anarcossindicalista sofre as maiores repressões, tendo muitos de seus militantes mortos, presos ou deportados. A partir de 1934, Getúlio Vargas cria o Ministério do Trabalho, proíbe a existência de sindicatos livres, cria o imposto sindical e a CLT, nela colocando – em forma de lei – todas as conquistas das lutas e greves anteriores. Getúlio promove a migração interna trazendo camponeses para a cidade e ajudando a indústria a eliminar os serviços especializados desempenhados por operários estrangeiros considerados como “agitadores”. Em 1937 Getúlio dá um Golpe de Estado e impõe uma Ditadura. Entre os fatores de esvaziamento da luta sindical a partir dessa data, podemos citar o papel dos comunistas de apoio ao Governo na destruição dos Sindicatos Livres e do lançamento entre os operários de um ideal reformista de “tomada do poder pelo Partido Operário”; a criação de sindicatos sustentados pelo próprio governo e a repressão feroz contra o movimento libertário e anarcossindicalista, pelo Governo e pelo Partido Comunista. De lá para cá nada mudou. Os sindicatos continuam atrelados e nenhuma conquista verdadeira foi conseguida a partir de 1930. Reformas vem e vão, sempre retirando direitos, dando acenos tímidos a qualquer proposição de modernização, mais autonomia e poder às pessoas trabalhadoras, mas sempre em benefício do interesse patronal e dos sindicatos, que muitas vezes se misturam e parecem uma só coisa. Os sindicatos são hoje grandes aparatos financeiros, verdadeiros órgãos públicos administrados por pelegos e políticos, todos a usar o trabalhador.  Não existe livre associação sindical e muito menos mecanismos horizontais de participação em todos os níveis. Grande parte das pessoas trabalhadoras não se identifica nem com a Central Única dos Trabalhadores (CUT) e muito menos com Força Sindical, ambas reformistas e atreladas a Governos e Partidos Políticos a se sustentar do roubo que é o Imposto Sindical.  Aliás, por pressão de entidades patronais, como a Confederação Nacional da Indústria (CNI) e a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo … Continue reading

Comunicado do Partido Pirata dos EUA sobre os ataques à Síria

Comunicado do Partido Pirata dos EUA sobre os ataques à Síria

Por Partido Pirata dos EUA* Por ordem do presidente Donald Trump, navios de guerra dos EUA lançaram entre 50-60 mísseis Tomahawk contra uma base aérea do governo sírio. O Partido Pirata dos EUA condena veementemente estes ataques e apela ao Poder Executivo e ao Congresso que acabem com toda a intervenção dos EUA na Síria. Além disso, pedimos que todas as pessoas de espírito democrático e justo para que entrem em contato com ambos e exijam o fim imediato das hostilidades. O vídeo de um suposto ataque com gás sarin foi publicado menos de 48 horas atrás. Como se pode descobrir o que é real e o que não é em um período tão curto de tempo? Quando vidas inocentes estão potencialmente em jogo, uma discrição muito maior é necessária. Não houve uma votação no Congresso para ir à guerra. Isso faz com que esta ação seja inconstitucional: os poderes presidenciais expandidos que Trump herdou de Obama não são constitucionais. Essa ação também é ilegal sob a lei internacional. Piratas valorizam o imperativo de soberania local e democracia contra intervenções imperialistas. Nós valorizamos transparência e deliberação antes da ação. Acreditamos que, qualquer que seja o crime do qual se acusa alguém, uma investigação justa e completa deve ser garantida antes do uso da força. Por isso e pela desumanidade básica em travar uma guerra não provocada, piratas dos Estados Unidos se opõem a essa ação ilegal, imoral e imperialista. *Esta é a declaração oficial do Pirate Party US não sendo necessariamente ponto de vista de membros do Partido Pirata Brasil 

Piratas Venezuelanos acusam o Governo Maduro de promover um autogolpe

Piratas Venezuelanos acusam o Governo Maduro de promover um autogolpe

As recentes sentenças 155 e 156 da Corte Constitucional do Tribunal Supremo de Justiça (TSJ – equivalente ao STF no Brasil) mantêm a posição de desconhecer a Assembleia Nacional (equivalente ao Congresso no Brasil) e, além disso, buscam permitir que o Executivo possa legislar em aspectos chave sem precisar contar com o apoio do Legislativo no marco do Decreto de Exceção ainda vigente. Por Partido Pirata da Venezuela* Se realmente ambas as regulações obedecem a suposições distintas e são respostas a solicitações interpostas em áreas específicas, se criam precedentes que podem vir a abarcar outros campos, ainda que com alcances que ainda estão por se definir. A diretora da cátedra Democracia e Eleições da Faculdade de Direito da UCV (Universidad Central de Venezuela), Eglée González Lobato, avalia a sentença 156 e assinala que a mesma foca nas competências da Assembleia Nacional apenas no que se refere à Lei de Hidrocarbonetos, advertindo que, com base nos argumentos colocados pela Sala Constitucional, abre-se um precedente para que o Tribunal possa tentar suprimir o Congresso. A advogada Aime Nogal defende que ambas as sentenças – 155 e 156 – estão vinculadas e afirma que há uma clara desautorização da competência da Assembleia Nacional e, ainda, que essas decisões podem levar a modificações das normas de modo que até mesmo civis possam ser julgados sob jurisdição militar. A Corte Constitucional do Tribunal Supremo de Justiça (TSJ) emitiu uma nova sentença na noite dessa quarta, 29 de março, na qual dispõe que assumirá as competências legislativas da Assembleia Nacional enquanto esta se encontre “em desacato”. É desse modo que ela tem considerado o status do Parlamento desde o começo do ano, por este negar-se a aceitar várias decisões do Poder Judicial. “Enquanto persista a situação de desacato e invalidez das atuações da Assembleia Nacional, essa Corte Constitucional garantirá que as competências parlamentares sejam exercidas diretamente por essa Corte ou pelo órgão que ela disponha, para velar pelo Estado de Direito”, assinala o ponto 4.4 da sentença 156 da dita Corte, correspondente ao expediente 17-0325. Essa decisão é parte da resposta a um recurso de interpretação solicitado ao tribunal máximo para analisar o alcance do artigo constitucional e outra da Lei Orgânica de Hidrocarbonetos. Nessas decisões distintas se estabelece que a constituição de empresas mistas “requer a aprovação prévia” da AN, “a cujo efeito o Executivo deverá informar de todas as circunstâncias pertinentes à dita Constituição e suas condições, inclusas as vantagens especiais previstas a favor da República”. A lei de Hidrocarbonetos indica que nessa matéria o Parlamento poderá modificar as condições propostas ou estabelecer aquelas que considere conveniente, e que qualquer modificação posterior também deverá ser submetida a avaliação dos deputados. Não obstante, o TSJ resolveu hoje que “não há impedimento algum” para que o Executivo constitua empresas mistas, indicando que esse deverá informar à Corte Constitucional “sobre todas as circunstâncias pertinentes à dita Constituição e suas condições”. Além disso, o TSJ sublinhou que, pelo fato de a Assembleia Nacional estar “atuando de fato”, não … Continue reading

Automação Seja Louvada

Automação Seja Louvada

Nesse artigo* eu discuto o problema de confiar em máquinas para fazer nosso trabalho, administrar nossos canais de notícias, dirigir nossos ônibus escolares, educar nossas crianças e uma porção de coisas que consideramos muito chatas e difíceis para fazer nós mesmos. Oh! E citações, muitas citações! Houston, nós temos um problema. De acordo com as mídias sociais, uma grande fração de nossa população estará em breve desempregada. Não apenas desempregada, mas inempregável. Graças ao rápido crescimento da automação e as recentes descobertas em Machine Learning, a maior parte da força de trabalho humana mundial será em breve obsoleta economicamente. Muito jovem para se aposentar, e muito velho para se treinar, haverá um enorme deslocamento de mão de obra não qualificada. Isso não é apenas especulação ociosa. Líderes cientistas e políticos reconheceram a urgência deste problema e a importância de abordá-lo em nossa sociedade.   Trens levarão 332 milhões de passageiros durante a maior migração da História.   Automação não afeta apenas o trabalho não qualificado. Muitos trabalhos que requerem formações avançadas e anos de experiência estão vulneráveis, incluindo um grande número de médicos, advogados e analistas financeiros. Cada uma dessas profissões faz trabalhos que já estão sendo aprendidos, automatizados e otimizados por máquinas. Mesmo a pesquisa matemática nos limites da nossa compreensão pode ser automatizada. Um número crescente de matemáticos hoje usa assistentes de prova interativos e provadores automáticos de teoremas para verificar provas e até mesmo derivar novas verdades. Mas se os eventos atuais apresentam qualquer indicação, o que é verdade e o que é verificável são questões completamente diferentes.   “E quando suas criações lhe ultrapassarem e encontrarem as respostas que você procura, você não irá entender suas análises e não poderá verificá-las. Você terá que aceitar suas palavras com fé – ou usar a teoria da informação para simplifica-la, para esmagar o hipercubo em duas dimensões e a garrafa de Klein em três para simplificar a realidade e orar para quaisquer deuses que sobreviverem o milênio pedindo que a sua honorável simplificação da verdade não venha danificar quaisquer de seus pilares fundamentais. Você irá contratar pessoas como eu, um cruzamento progênico de analisadores de perfil, assistentes de prova e teoristas da informação… em um contexto formal você pode me chamar de Synthesista.” —Peter Watts, Blindsight (2006)   Peter Watts, em sua primeira obra de ficção, Blindsight, imagina a profissão de “Synthesistas”, interpretadores profissionais que ajudam a traduzir a comunicação entre Inteligências Artificiais e humanos. Em um futuro onde a maioria das descobertas científicas são feitas por Inteligências Artificiais, synthesistas “explicam aquilo que é incompreensível para aquele que é indiferente”. O protagonista de Watts, Siri Keaton, é um oficial de ciências que viaja pelo espaço e encontra um Cérebro Matrioshka fora do sistema solar. Siri se une a uma missão de reconhecimento para coletar observações e verificar a verdadeira natureza desse estranho objeto. Mas como Siri logo percebe, nem todas as verdades podem ser verificadas. As ficções científicas futuristas tendem a cair dentro de três amplas categorias. Os … Continue reading

[Opinião] Um glossário quase sem preconceitos de expressões ditas “pós-modernas” (ou que quer que seja isso)

[Opinião] Um glossário quase sem preconceitos de expressões ditas “pós-modernas” (ou que quer que seja isso)

por galdino    Este texto foi inspirado por um outro que problematiza (sim, problematiza!) expressões de um tal vocabulário “pós-moderno”, de forma preconceituosa, cheia de distorções intencionais e desinformação, com o objetivo de valorizar uma perspectiva marxista sobre os mesmos assuntos. Antes de tudo, seria melhor explicar do que se trata esse tal de “pós-moderno“, algo que infelizmente não poderei fazer porque não existe nenhuma definição amplamente aceita sobre o termo*. Lance normal, segue o jogo:         PROBLEMATIZAR: Não tem muito a ver com explicação de eventos, e sim com uma postura diante de coisas naturalizadas ou que passam desapercebidas por nós por outros motivos. A problematização seria uma coisa bem simples: questionar o que nos é dado e apontar para como aquilo pode ser algo prejudicial para as relações sociais. Uma expressão que serviu historicamente para humilhar um setor étnico da sociedade, uma peça publicitária construída para reproduzir ideias sobre submissão das mulheres aos homens, e por aí vai. O tipo de análise a ser feito não tem a ver com o questionamento: pode-se muito bem adotar uma perspectiva ou método marxista para entender a raiz dos problemas. A problematização é algo que frequentemente pode ser feito de forma descontextualizada, inadequada ou simplesmente incorreta. E pode também ser uma viagem total, como problematizar a expressão “Vem, meteoro!” por ser algo que somente beneficiaria a “burguesia” (!!). O excesso de problematização sobre toda e qualquer coisa tem gerado efeitos como aversão a textões de feissebuqui e o aumento do uso da expressão “MEU DEUS DO CÉU QUE GALERA CHATA DO CARALHO”. Se for problematizar, não beba.  DESCONSTRUIR: essa expressão tem um uso bem simples, que diz respeito ao abandono de elementos opressores de nossa cultura, adquiridos durante nossa inserção social. Podem ser papéis de gêreno absorvidos através de produtos infantis, da educação familiar e programas de TV, por exemplo. Ideais de masculinidade aprendidos em casa e que são reforçados no colégio para que meninos não sofram bullying podem ser carregados ao longo de toda uma vida, interferindo nas suas relações sentimentais e sexuais no futuro. Isso é uma simplificação, mas é disso que se trataria a desconstrução nesse sentido mais usual. Infelizmente, muitas pessoas (homens obviamente) usam dessa expressão para fingir que são modernos, bem resolvidos, puros de opiniões machistas. E fazem isso pra “pegar mulher” na festinha de esquerda. Esse e outros tipos de atitude acabam em páginas de humor sobre homens desconstruidões. Além disso, vemos frequentemente pessoas que se dizem em processo de desconstrução de seus comportamentos e pensamentos opressores serem descobertas se comportando de forma incompatível com o discurso delas. Isso não precisa ser exatamente um problema, pois a ideia é justamente que desconstruir é um processo, que provavelmente sequer tem fim, pois nossa cultura seria violentamente opressora, de forma que não seria a coisa mais fácil do mundo se livrar disso. Por outro lado, pessoas também podem usar isso como desculpa para continuar causando prejuízos a outras pessoas.  Existe outra forma interessante de falar de desconstrução, … Continue reading

Segurança da CUT tira onda por bater em anarquistas

Segurança da CUT tira onda por bater em anarquistas

Quando se fala que a Central Única dos Trabalhadores (CUT)  contrata bate-paus para agir como “polícia” agredindo manifestantes que não aceitam serem comandados pelos seus dirigentes traidores das lutas populares, normalmente seus militantes negam veementemente. E quando esses bate-paus se exibem no Facebook? Quando os próprios dizem nas redes sociais que estavam “a trabalho”? Pois então, seguem as imagens. Este segue o mesmo modo de operação de outros grupos como o Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST)  que recebeu repúdio do Partido Pirata (leia a nota) ao agredir autonomistas em ato passado ocorrido no Ceará. O Partido Pirata (PIRATAS) presta toda nossa solidariedade às pessoas agredidas e que enfrentam constantemente agressões verbais e físicas em todas essas ocasiões; todo tipo de assédio moral e táticas difamatórias e de desinformação, dentre outras coisas, apenas por não se curvarem às autoridades da velha esquerda, aos seus mandamentos divinos e consensos excludentes e fabricados de cima para baixo.